Prémio J.Agostinho: José Neves um triunfo muito suado

Foto de UVP - Federação Portuguesa de Ciclismo.

José Neves ( W52-FCP) foi o vencedor final do GP J.Agostinho, com escassos quatro segundos de vantagem sobre Henrique Casimiro ( Efapel) e cinco sobre Joni Brandão ( Sporting-Tavira), que ocupou o ultimo lugar do pódio. A etapa, essa foi para Henrique Casimiro ( Efapel), que aproveitou uma vigilância estreita dos favoritos para se escapulir e nunca mais foi alcançado, isto já dentro dos últimos e dificeis 10 kms da tirada de hoje, que ligou o Cadaval ao Montejunto e que por pouco, não ganhou o Prémio, o que até era uma justa recompensa, para um ciclista muito regular e um  excelente trepador.

Uma etapa que valeu, apenas pelos derradeiros kms, até lá, uma fuga de 17 ciclistas, que chegou a ter sete minutos de vantagem, onde não estava incluído nenhum ciclista capaz de lutar pelo triunfo do Prémio, nem mesmo da etapa. Na frente do pelotão, o Aviludo-Louletano controlava sem grande força, procurando apenas que a escapada não ganhasse contornos irrecuperáveis. Mais tarde ou mais cedo, os algarvios sabiam que alguém viria em seu socorro. E assim aconteceu. Primeiro foi a Euskadi , mas foi sol de pouca dura até que a cerca de 20 kms para o final o Sporting endureceu a corrida e a fuga foi por água abaixo. Do grupo da frente, apenas David de la Fuente ainda tentou chegar isolado, mas o mais que conseguiu foi sagrar-se rei da montanha, ele que, em tempos idos, recorde-se, chegou a vencer a camisola das bolinhas vermelhas no Tour.

Com Casimiro a dez kms da meta na frente da corrida, sempre com uma magra vantagem, saiu um reduzido grupo composto por Joni Brandão e dois portistas, Neves e António Carvalho. Competia ao sportinguista ir à procura do prejuízo, os portistas, esses limitaram-se a ir na roda do ciclista leonino, que conseguiu reduzir a diferença para Casimiro, ficou a seis segundos no final da etapa. Tivesse Brandão alcançado Casimiro e o triunfo  no Prémio talvez não lhe escapasse, por força das bonificações.

Foto de UVP - Federação Portuguesa de Ciclismo.

Brandão puxou e bem tentou deixar para trás José Neves.

Mas não foi assim que aconteceu. Neves e Carvalho seguiram sempre na sua roda, até que Joni Brandão a cerca de três kms do Montejunto forçou o andamento e o primeiro a ficar foi Carvalho, um pouco mais acima Neves ficou ligeiramente para trás. Os dois ciclistas do FC Porto voltam a reagrupar-se e perseguem tenazmente o ciclista do Sporting, que cortou a meta em segundo, mas sem o tempo suficiente para ultrapassar José Neves na liderança da corrida.

Foto de UVP - Federação Portuguesa de Ciclismo.

Carvalho foi decisivo no triunfo de José Neves.

No final, houveram mosquitos por cordas, mas a verdade é que competia a Joni Brandão desbravar caminho. Neves era, na altura o novo  camisola amarela, dado que Oscar Fernandez muito cedo cedeu , e aproveitou-se disso para ir sempre na roda. É certo que, se Brandão fizesse o mesmo, talvez Henrique Casimiro tivesse ganho o Prémio. Afinal o alentejano baqueou apenas por quatro escassos segundos.

Foto de UVP - Federação Portuguesa de Ciclismo.

Neves teve sangue frio, talvez calculista em excesso, ou também poderia dar-se o caso de não ter poder para passar  a sua roda dianteira, para a frente do ciclista do Sporting, ajudando a alcançar o homem da Efapel, e no final houve uma pequena discussão, no calor da refrega. Seja como for, foi José Neves a vencer o Prémio, e como não há vencedores sem vencidos, estes foram Henrique Casimiro e Joni Brandão. Soubesse Joni Brandão como ficou o resultado final, e talvez a corrida tivesse sido outra. Mas isto é especular, e o que fica para a história, foi a excelente corrida proporcionada pelos três primeiros da geral individual.

Para o ano que venha outro Prémio J. Agostinho, onde o publico hoje, no Montejunto, apareceu em grande número. A corrida, quer queiramos quer não, é uma das mais emblemáticas do ciclismo nacional .

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