” Adoramos os franceses “

Há muito tempo que não dava uma boa gargalhada a ver algo relacionado com o ciclismo. Na recente apresentação de equipas do Tour, o britânico Geraint Thomas conseguiu essa essa (quase) proeza.

Quando a equipa Sky e especialmente Froome eram vaiados por aquilo que parecia ser a maioria do público presente, quando o apresentador se dirigiu a Thomas para lhe perguntar o que esperava do Tour, entre outras coisas, com um aspecto sóbrio e sério, tipicamente britânico, o inglês respondia que gostava do Tour, gostava de estar em França e, por todos dizia, que adoravam os franceses.

Para quem gostar do humor britânico (embora o francês também me agrade) não podia existir, no local, maior provocação. Enquanto isso, no outro canto, Froome sorria. Mas um sorriso de alguma raiva, aquele que nos diz que está cheio de vontade de ganhar mas, se não for ele, ou alguém da Sky, fará tudo para não ser um francês. Na sua preferência, talvez Richie Porte.

O público do Tour é tudo menos o do ciclismo puro. É demasiadamente massificado e com gente a mais insensível ao que é a essência desta modalidade. Mas se nada de muito anormal acontecer (seria retroceder muito e voltar a tempos ultrapassados!), gostemos ou não, estas grande figuras como Contador, Froome ou Armstrong habituaram-se a conviver com estas adversidades. De novo, gostemos ou não, são verdadeiros campeões. Imaginem Bernard Hinault, que por bem pouco perdia as estribeiras, correr em condições idênticas… estou em crer que começava a chorar.

É certo que o público habitual do ciclismo está dividido. Mas também não deixará de ser interessante verificar que, provavelmente, quanto mais Froome for acossado pelos franceses também terá mais solidariedade dos outros. Estou um pouco nesse campo. Gostava que, por esta ordem, Porte, Landa, Valverde ou Nibali ganhassem o Tour, mas se vir muito “chauvinismo” ou má educação francesa também serei o primeiro a pedalar por Froome.
Luís Gonçalves