Castelo de Vide e uma boa dose de humildade – “algumas posturas de comissários, ou comissárias, deviam ter outra ponderação e alguma urbanidade “

 

Castelo de Vide deu-nos de novo os nossos campeões nacionais dos importantes escalões de formação. Nas provas de fundo, o menos esperado, mas com valor, Ruben Silva, em Cadetes e, em Juniores, de certa forma, a confirmação de Pedro Andrade como um dos futuros ciclistas do pelotão superior, se assim o pretender.

Mas nem só de ciclistas se fazem estes nacionais. Aliás, apesar dos ciclistas serem a parte mais importante, todas as corridas são bem mais do que isso. E com tanta gente envolvida, como em qualquer actividade, há opiniões diferentes, formas de fazer diferentes e até divergências.

O contexto leva-nos à forma de guiar ou orientar as corridas, nomeadamente estes nacionais. Essencialmente, em qualquer corrida, os guias são o organizador (ou organizadores, no sentido lato da palavra) e o colégio de comissários, em funções diferentes, mas que se complementam. E se se nota boa vontade, apesar de às vezes alguma falta de meios por parte das associações de ciclismo, mas também, no fundo, da tutela da Federação, onde se têm notado progressos organizativos, nalgumas provas, esbarramos em demasia com a vontade dos comissários.

Naturalmente que teremos de dar razão na orientação das reuniões de directores quando se diz que muitos assuntos não têm, nem devem ser discutidos naquele local. Queixam-se alguns directores de falta de voz. É a maior das verdades, embora por vezes também exista alguma preguiça de nos fazermos ouvir nos locais próprios, muitas vezes, também, porque se sabe que é um pouco “chover no molhado”. De qualquer forma, há de facto sítios próprios para isso e será escusado vezes sem conta tentar discutir os mesmos problemas nas reuniões, muito menos discutir situações regulamentares evidentes.

Mas se os directores se devem abster de alguns tipos de comportamento, também não é menos verdade que algumas posturas de comissários, ou comissárias, deviam ter outra ponderação e até alguma urbanidade. Ensinar bem, como tantas vezes se refere, não é só reprimir. Bem mais importante do que a repressão é muitas vezes a pedagogia, sobretudo em escalões jovens, onde, bem ou mal, o maior problema de cada jovem/criança tem a ver com a sua própria experiência de vida e não com a dos refugiados africanos, por quem, obviamente todos temos sentimentos.

Não fica bem a um presidente do colégio de comissários alguma impetuosidade na adopção de algumas medidas. Apesar disso, embora possa gerar problemas de vária espécie, não posso estar mais de acordo, por exemplo, com o se querer impor que todos os intervenientes que se encontrem dentro dos carros em prova sejam licenciados (pela federação/UCI). É uma questão de se poder ou não punir disciplinarmente e no imediato qualquer prevaricador. Pouco mais do que isso, porque as questões jurídicas que possam surgir à volta disso são bem mais vastas do que o que se quis fazer parecer e entrar por aí é fazer um pouco a figura do Bruno de Carvalho, quando falava dos processos judiciais. Mas para com tanta vontade se imporem algumas medidas, a todos, e para que todos as cumpram, também convém que os próprios comissários, primeiro, sejam eles a cumprir, e depois em diferentes provas niveladas, se entendam e assumam todos a mesma postura. De outra forma, a imagem que passam, uns e outros, sofre de alguma depressão.

Depois, até acho piada a alguns preciosismos. Enfim, sem marcações no terreno de zonas de abastecimento, era apenas uma questão de andar mais cinquenta metros, menos cinquenta metros, para não ter que pagar uns famosos francos suíços (atenção, isto, já dentro das zonas definidas, em reunião, a olho, para o abastecimento apeado. Não estou a referir as zonas não definidas).

Já pouca piada acho quando se fala em falta de brio de alguns intervenientes de corrida. Cada um à sua maneira, uns mais impulsivos, outros menos, gostemos mais ou menos, se há coisa da qual não se podem acusar os dirigentes das equipas dos escalões de formação é de falta de brio e de vontade. Até podemos entender que alguns são desleixados ou até que estão desactualizados mas, falta de brio, ou é má vontade ou perceber pouco de português, porque, no contexto, a conotação da palavra é forte e profundamente injusta. Só quem percebe muito pouco do que é o ciclismo nestes escalões conseguirá dizer isso de ânimo leve. Daria exemplos fatais a quem pensasse o contrário.

Porventura a maior questão de todas até ultrapasse qualquer campeonato nacional de Castelo de Vide. O facto é que no ciclismo se fala muito pouco. Se, tendo em conta toda a estrutura organizativa do ciclismo, quem “manda” tem normalmente pouco tacto para ouvir críticas (nem se tem habituado a isso) e dar o braço a torcer a boas ideias e repensar as más que teve ou tem, quem lida mais directamente com o terreno, as equipas, também sofre com frequência do síndrome de “isto na prática é diferente”!

Embora esta última faceta seja a mais pura das verdades, também não é menos verdade que de vez em quando se dão umas facadas regulamentares, algumas delas bem grandes. De todo o modo, parece-me que todos ganharíamos com mais consenso. E este consenso obriga a cedências de todas as partes. Já se sabe que atitudes arrogantes, geram mais arrogância, ou pior, posturas de indiferença e desinteresse nos destinos a modalidade.

Há reuniões de directores onde se percebe tão bem o que dizem os comissários (presidentes) que ninguém tem vontade de afrontar ninguém. Muitas vezes porque se compreende o espírito dos regulamentos e não apenas e só a sua letra, o que está escrito, tantas vezes enganador.

Não é a fazer apenas “peito” que se geram consensos e se conquistam lideranças e respeito. É preciso muito mais do que isso. Às vezes, apenas uma boa dose de humildade.
Luís Gonçalves

4 comentários a “Castelo de Vide e uma boa dose de humildade – “algumas posturas de comissários, ou comissárias, deviam ter outra ponderação e alguma urbanidade “”

  1. Só estão a criticar a pessoa que mais entende de ciclismo. Cumprir regras é lixado. Temos pena.

  2. Estão todos mal habituados. Querem o quê? Brincar? Acho muito bem que não deixe bandalheira. Por mim ou ha licenças ou ninguem mete as pés no ciclismo.

  3. Boa noite totalmente de acordo.este ano já não é a primeira vez que sua excelência os comissários e outros .com bastante arrogância a forma com que falam diretores e ciclistas.se estos acabar o tacho também acaba Para eles certo não a postura deles um pouco de compreensão não eles ficavas mal

  4. Imagino quem seria “a presidente do colégio de comissários “.
    Tipo, nacional de masters…

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