O percurso comentado por quem o delineou

Se bem que Jornal Ciclismo já tenha feita uma análise ao percurso da Volta a Portugal de 2018, vejamos o que pensa Joaquim Gomes , principal mentor do percurso da 80ª Volta a Portugal.

Prólogo: Setúbal (Contrarrelógio individual) > 01 agosto 2018
A Doca dos Pescadores e a recentemente inaugurada Av. José Mourinho, vão,desta vez, além do magnífico cenário da Foz do Sado, e da Serra da Arrábida, revelaro palco de início da 80ª Volta a Portugal Santander. Os 1800 metros, perfeitamente
planos que separam a zona ribeirinha do Largo José Afonso, da Av. Luisa Todi serão o prenúncio dos primeiros dias de “Volta” em que os potentes velocistas levam vantagem.

1ª Etapa: Alcácer do Sal » Albufeira > 02 agosto 2018
Em jeito de despedida do Sado, a partida da 1ª etapa em Alcácer do Sal recupera,após longa ausência, o litoral alentejano e o Algarve para a “Volta”. Os 191,8 Km marcados orograficamente pelas travessias das Serras de Grândola e do Cercal serão percorridos, como acontece habitualmente no primeiro dia das grandes provas por etapas, com a típica tensão decorrente do processo de avaliação mútua entre os protagonistas a que se junta a irreverência daqueles que não sendo potenciais candidatos querem aproveitar já as oportunidades. Apesar de tudo, no final, a Av. dos Descobrimentos,
em Albufeira, deverá assistir a uma chegada em pelotão compacto.

2ªEtapa: Beja » Portalegre > 03 agosto 2018
A ligação das capitais de distrito do Baixo e do Alto Alentejo é famosa, apesar deter ocorrido pela primeira vez em 1935 e não se realizar há 20 anos. Com 195,3 Km, a maior etapa da “Volta” tem, apesar da ausência de montanhas, duros desafios pela
frente. Porventura o calor, o vento, e eventuais fugas difíceis de controlar, a que se junta a grande extensão da etapa e um final que não sendo pontuável para a classificação da montanha vai provocar certamente o fracionamento do pelotão.

3ª Etapa: Sertã » Oliveira do Hospital > 04 agosto 2018
A denominada “Etapa Vida” que pretende simbolicamente emprestar o colorido da “caravana” à região mais dramaticamente afetada com os incêndios de 2017 desempenha do ponto de vista desportivo o papel de transição entre os dias orograficamente
mais fáceis e o primeiro dia de alta montanha com chegada à Serra da Estrela. Recheada de prémios de montanha de 3ª e 4ª categoria será a travessia da Serra da Lousã, de 2ª Categoria, a endurecer definitivamente o perfil altimétrico dos 175,9 Km da “Etapa
Vida”. A chegada a Oliveira do Hospital poderá revelar surpresas. De entre elas, talvez o atraso de algum dos potenciais candidatos.

4ª Etapa: Guarda » Covilhã (Penhas da Saúde) > 05 agosto 2018
Depois de dois anos consecutivos a receber o final da etapa “Rainha”, a cidade da Guarda apadrinha o regresso à Serra da Estrela. Com 171,4 Km onde se inserem os únicos Prémios de Montanha de Categoria Especial da “Volta”- Torre e Penhas da Saúde  separados apenas pelo Vale Glaciar e a cidade da Covilhã, esta etapa tem tudo para proporcionar uma magnífica jornada de ciclismo. Desportivamente, só os melhores vão chegar na frente!

5ª Etapa: Sabugal » Viseu > 06 agosto 2018
Na partida do Sabugal haverá dois factos perfeitamente constatáveis. Um pelotão fatigado, a precisar do dia de descanso em Viseu e uma classificação geral individual com claros indicadores de quem poderá, ou não, estar na corrida para a vitória individual
e coletiva na 80ª Volta a Portugal Santander. Apesar da fadiga, e a juntar aos habituais animadores das fugas, mais ou menos consentidas, teremos os inconformados com a derrota da véspera que certamente vão proporcionar uma rápida viagem
até Viseu, com a Avenida da Europa a encerrar a primeira parte da Volta.

6ª Etapa: Sernancelhe » Boticas > 08 agosto 2018
Estreia absoluta na Volta a Portugal, Sernancelhe será o palco de partida de uma etapa que tendo somente 165,4 Km poderá, até por ocorrer a seguir ao dia de descanso, provocar uma reviravolta na classificação. Num percurso lindíssimo onde sobressai
a travessia da região demarcada do Douro será já no concelho de Boticas, em plena Terras de Barroso, a pouco mais de 16 Km da meta, que o Prémio de Montanha de 1ª categoria na, até agora desconhecida, aldeia de Torneiros, proporcionará uma das mais
interessantes “batalhas” desta Volta. Boticas também uma estreia, em termos de finais de etapa, assume-se como um dos dias mais importantes da Volta.

7ª Etapa: Montalegre » Viana do Castelo (St.ª Luzia) > 09 agosto
Apesar da despedida de Trás-os-Montes se registar a mais de 1000 metros de altura, em Montalegre, e o final no Minho, no magnífico Santuário de Santa Luzia, em Viana do Castelo a pouco mais de 200 metros, nem por isso, os 165,5 Km de uma das mais belas etapas desta edição deixam de ser desafiantes. Com o cenário da albufeira do Alto Rabagão nos primeiros quilómetros, a convidar a altas velocidades será a partir da albufeira da Caniçada, em pleno Gerês, que as dificuldades se acentuam. Neste particular importa referir que coincidindo a chegada com um Prémio de Montanha
de 3ª Categoria tal facto irá exigir redobrada atenção e obviamente exigência física aos principais candidatos.

8ª Etapa: Barcelos » Braga > 10 agosto 2018
O regresso de Barcelos vinca definitivamente a forte presença do Minho nesta edição da Volta. Apesar dos primeiros 50 quilómetros ondularem junto ao rio Lima nem por isso a mais curta etapa da Volta, com apenas 147,6 Km, será a mais fácil. Os santuários do Bom Jesus e Sameiro com duas passagens na parte final da etapa serão
uma dura “provação” que nem todos conseguirão ultrapassar.

9ª Etapa: Felgueiras » Mondim de Basto (Sr.ª da Graça) > 11 agosto 
Em Felgueiras só mesmo o famoso pão-de-ló de Margaride poderá “adoçar” o
“fado” aos “Heróis da Estrada” que perante a última etapa em linha da 80ª Volta a Portugal
Santander terão de enfrentar, já no concelho de Mondim de Basto, três Prémios de Montanha de 1ª categoria finalizados no Monte Farinha aos 155,2 Km. Julgamos elevar desta forma a importância desta etapa ao legítimo nível que a passagem dos 40 anos
sobre a primeira chegada à Sr.ª da Graça, em 1978, merece. Acredito, apesar da enorme expectativa que este dia levanta, que poderemos, ainda reservar a decisão final para o contrarrelógio de Fafe.

10ª Etapa: Fafe (Contrarrelógio individual) > 12 agosto 2018
A “Sala de Visitas do Minho” há muito que merecia esta distinção. O final da 80ª Volta a Portugal Santander tem um contrarrelógio individual com 17,3 Km mas com elevado grau de exigência. Abraçando algumas das freguesias mais representativas do
concelho, este circuito fafense tem todas as condições para levar ao rubro a discussão pela vitória na Volta. Quase sem zonas planas será no empenho técnico das descidas e nas esforçadas subidas que os candidatos “sobreviventes” terão de se esgotar física e animicamente na busca da vitória com a certeza que depois de Fafe ninguém terá dúvidas sobre quem são os melhores da Volta