Domingos Gonçalves : simplesmente imparável

Quando Domingos Gonçalves cortou a meta isolado em Belmonte, com o calor a desafiar as montanhas gélidas das Penhas da Saúde, o ciclista da Radio Popular-Boavista tinha cumprido um sonho : ser campeão nacional, de estrada e de C/RI.

Foi uma corrida algo insólita, própria de um campeonato nacional, com uma fuga decisiva logo na primeira hora de corrida, em que participaram, praticamente os melhores ciclistas. No pelotão, por distração, ou por mera má colocação, ficaram apenas alguns nomes de respeito, como José Gonçalves, Amaro Antunes, David Rodrigues, José Mendes, que nunca mais tiveram hipótese de chegar ao grupo da frente. Na primeira hora de corrida, num percurso muito chato, com curvas apertadas, troços com paralelos, estradas estreitas, o grupo da frente percorria 46 kms, indiferente ao calor. Um calor tórrido, que atirou para a berma da estrada o ex-campeão nacional Ruben Guerreiro, com problemas de taquicardia, e que colocou em sobressalto a equipa médica da prova.

Na frente reuniam-se praticamente dois ciclistas de cada equipa, com os seus melhores ciclistas, constituindo-se um grupo de 17 ciclistas, que foi perdendo unidades , em especial nas duas ultimas voltas. Nomes importantes: César Fonte, António Carvalho, Domingos Gonçalves, Luis Gomes, Henrique Casimiro, Joni Brandão, Frederico Figueiredo, Luis Mendonça, Joaquim Silva e o insaciável Tiago Machado, estes os nomes mais importantes e os mais interventivos ao longo dos 180 kms, e os únicos que a partir do meio da prova tinham possibilidades de ganhar o campeonato. Nesta altura, o pelotão já  tinha mais de seis minutos de atraso.

Os ataques sucediam-se, mas quer Tiago Machado quer Domingos Gonçalves respondiam permanentemente, até que a cerca de 17 kms da linha de meta Domingos Gonçalves atacou forte . O ciclista da Radio Popular-Boavista conservou duzentos metros de avanço sobre o grupo. Tiago Machado hesitou e Joni Brandão ( Sporting) atacou e ficou a meio, entre Gonçalves e o grupo e a corrida foi assim até cerca de sete kms da meta, altura em que a junção com Joni Brandão se deu. Na frente Domingos Gonçalves pedalava sozinho, cá atrás o grupo estava conformado. Henrique Casimiro ainda atacou, mas o mais que conseguiu foi levar Joni Brandão e Tiago Machado. Já esgotado, Tiago Machado cedia nos ultimos dois kms, ele que foi o homem que mais pedalou na frente dos 180 kms de corrida. Ainda mais atrás Luis Mendonça tentava chegar ao grupo de  Brandão, mas um ataque de Luis Fernandes  deixou o ciclista do Louletano desalentado.

Na meta, Domingos Gonçalves levantava os braços de contente, perante o entusiasmo de uma legião de apoiantes, de uma região que começava a ser um epicentro do ciclismo nacional. Barcelos e arredores.

” “O segredo da vitória foi conseguir poupar-me, graças à ajuda do Luís Gomes, que estava no grupo da frente, sempre a apoiar-me. À medida que o grupo foi diminuindo, percebi que podia ganhar, porque fiz um super-contrarrelógio na sexta-feira, o que é um excelente indicador. À entrada para a última volta, estiquei para me aproximar dos ciclistas que iam fugidos. Com ajuda do Tiago Machado e do Henrique Casimiro consegui fazer a junção. Depois arranquei para tentar ganhar. Ser duplo campeão enche-me de orgulho”- disse enquanto aguardava a cerimónia do pódio Domingos Gonçalves, que ainda ofereceu ao presidente da Câmara Municipal de Belmonte a sua camisola.

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