A DEMOCRACIA DO GP ABIMOTA

Podemos dizer que o último Grande Prémio Abimota primou pela democracia. Começou perto do mar, em Lisboa, na metrópole capital do país, avançou pelo interior, por alguns locais onde até o ciclismo passa poucas vezes, para terminar, como de costume, em Águeda em clima de festa.

Para além da geografia bem delineada das etapas, em democracia, acresceu também a divisão de triunfos. Vencedores diferentes em etapas, muitas camisolas distribuídas que garantem presença no pódio a várias equipas, líderes diferentes, até ao golpe final de Oscar Pelegri (RP-Boavista) na luta pela mais desejada camisola amarela.

Democraticamente, nas vitórias, tivemos ciclistas consagrados, como o Sérgio Paulinho (Efapel) ou o Raúl Alarcón (W52-FCPorto) mas também houve lugar para os mais jovens Xuban Ezkaryn (Vito-Feirense) e para o vencedor da geral Oscar Pelegri (RP-Boavista).

Foto de Grande Prémio Abimota Altice.

E como em democracia todos contam, na etapa final, foi bom ver todos os elementos do staff da organização deste Abimota (alguns já bem veteranos destas andanças!) no pódio, com música vitoriosa e em bom quadro fotográfico.

Por falar em pódio, apesar de ser actualmente contra a corrente que se pretende instituir, continuo a gostar de ver os ciclistas marcados de baton com os beijinhos das “meninas do pódio”, cujo termo técnico será hospedeiras. Também continuo a gostar de ver um acto ainda mais esquecido: rebentar algumas garrafas de espumante, continua a dar outro tom à celebração. É certo que rumámos à terra do espumante.

Foto de Grande Prémio Abimota Altice.

Mas como às vezes não sabemos bem o que é a democracia, sem querer “meter foice em seara alheia”, desconhecendo o que se passará no futuro do Sporting Clube de Portugal, para esse futuro, quero apenas assinalar uma passagem deste Abimota. Em Proença-a-Nova, um jovem com oito ou nove anos, acompanhado da mãe, procurava com alguma insistência o autocarro, carros e atletas do seu clube, o Sporting. Foi preciso pouco tempo para o encontrar. Encostou-se ao carro (sem vedações nem corpo de intervenção, apesar de imediatamente à frente estar a estrutura do FCPorto) e tirou fotografias com o polegar para cima, à beira do símbolo do clube. Pediu uma garrafa no autocarro, tirou fotos com dois ou três ciclistas, como sabemos, perfeitamente acessíveis.

Desconhecemos o que espera o Sporting, nem quem comandará os seus destinos e sobretudo que consequências nefastas terão as modalidades, sempre as modalidades extra futebol! Mas, venha quem vier, independentemente de épocas que corram melhor ou pior, é bom que compreenda que para quem mora nas Proenças deste país, longe de muita coisa, as modalidades, nomeadamente o ciclismo, são o único veículo de proximidade efectiva com os adeptos. Um clube que se gaba, e bem, de ser eclético, não deverá esquecer isso. Os maiores triunfos internacionais do Sporting estão nas modalidades e estou convencido que o segredo da sobrevivência do clube é precisamente o seu ecletismo, que lhe tem dado tantas referências.
Luís Gonçalves