As etapas da moda

A recente apresentação do Grande Prémio Nacional 2, evidenciou uma positiva característica recente do ciclismo português. Todos sabemos que o ciclismo, como modalidade, é um óptimo, provavelmente o melhor de todos, veículo publicitário de qualquer território. Num país em que uma boa parte da actividade económica se centra no sector turístico, o ciclismo não podia estar arredado desse facto.

Costuma-se dizer que mais vale tarde do que nunca. Os principais responsáveis pelo ciclismo português começaram a pensar nesta hipótese com algum atraso em relação a outros países. Em bom rigor, esta direcção sempre esteve mais aberta a estas ideias, e bem.
No contexto, provavelmente também teremos que contabilizar um interesse comum. Ou seja, se da parte dos elementos federativos começou a existir real interesse na questão, nos últimos tempos também é notório esse interesse da parte das autarquias (que sempre o tiveram), mas sobretudo da parte dos organismos do Estado ligados directamente ao sector turístico. Sem ovos também não se fazem omeletes. Às vezes é preciso é ir à procura dos ovos. O sucesso de alguns Granfondos também tem ajudado.

Turisticamente, a Estrada Nacional 2, é a estrada da moda. Por isso mesmo, a apresentação merece honras  de Secretaria de Estado, de autarcas, de novos organizadores, de directores das equipas, numa confluência de interesses que se espera durável. Não devemos também esquecer o interesse crescente de organismos ligados ao turismo ou do desenvolvimento associativo de uma região que tem sido demonstrado pela Volta ao Algarve e, embora numa escala menor, pela Volta ao Alentejo, ambas as provas, bandeiras de uma região.

Podemos nem sequer gostar muito deles, mas o ciclismo tem que andar de braço dado com os políticos, desde o Presidente de Junta, ao Presidente da Republica, como parece que o teremos na próxima Volta a Portugal, na denominada etapa da Vida. Se o produto “vende” e faz vender, também é mais fácil estas figuras aparecerem.
E se é vendável, o interesse da comunicação social também será maior. A TVI está, de novo, à espreita. Talvez o GP Nacional 2, deve-se ser encaixado noutra altura do calendário. Mas também aqui, ao tempo da sua realização, é mais fácil apelar ao interesse do público. A apresentação como “treino em corrida” para a Volta não me agrada, mas reconheço que suscita interesse, e vende.

É uma simbiose crescente que devemos aproveitar, até para melhorar as condições dos ciclistas e do ciclismo português. Espero que um facto empurre o outro. Não criemos ilusões, apenas, com corridas, políticos, interesses económicos vantajosos, três ou quatro bons resultados externos, quase individuais, e continuemos num quase marasmo no resto.

Para concluir, algo que não tem nada a ver com isto. Lembrei-me por falar em resultados externos e terei que dar a “facada”!

Como é que a Federação Portuguesa de Ciclismo, anuncia galhardamente três valentes campeões ibéricos de veteranos (sim, por opção minha, veteranos) e, no mesmo dia, no site, não faz, nem que fosse um pequeno elogio, à prestação do José Gonçalves no Giro. Parece-me que o José Gonçalves, é ciclista, de verdade, ao contrário dos outros, da última vez que vi, Barcelos ainda é território que produz portugueses, e esteve briosamente, apenas, na segunda prova mais importante do mundo…
Luís Gonçalves