149,9 kms , uma crónica zarolha – glosamos um pouco com o tema, mas o caso é grave

Quem assistiu hoje à Liége-Bastogne-Liége certamente reparou no apoio que as equipas, ao longo da estrada prestavam aos seus ciclistas, apoio líquido através da entrega de bidons, muitos deles pelas imagens da televisão já dentro dos últimos 19 kms de prova.

Olhamos, refletimos e comparamos com o sucedâneo de multas do ultimo Prémio das Beiras, exatamente por aquilo que o grupo de comissários daquela prova entendeu de abastecimento irregular.

A ultima etapa desta prova nacional contou com uma quilometragem, depois de ter sido encontrado um percurso alternativo, devido à interdição de se passar na Serra da Estrela, de um percurso milimetricamente convencionado de 149,9 kms. Isto é, faltavam exatamente cem metros para os 150 , o que permitia ao juri e à organização evitar a colocação de uma zona de abastecimento apeado. Propositadamente ou não, só os próprios o saberão.

Num dia em que o frio, a neve e a chuva marcaram presença, o Júri da prova permitiu-se multar praticamente quase todas as equipas, por aquilo que entendeu de abastecimento irregular, numa clara a grosseira falta de respeito pela integridade física dos atletas.

Primeiro não autorizou a abertura do abastecimento mais cedo que os 50 kms, talvez por achar que só o deveria fazer em tempo de calor, e que os casos de hipotermia são casos de somenos importância, mesmo depois de solicitado por um diretor desportivo de uma equipa que pretendia, a pedido de um seu ciclista dar um bidon de chã quente, ao km 43 de corrida.

Depois foi reparando ao longo do trajeto, que muitos diretores se postavam pelo percurso  a dar apoio liquido e sólido aos seus ciclistas –  ( numa quilometragem em que normalmente costuma ser o do abastecimento apeado ) –  que seguiam em vários grupos, com uma diferença de tempo entre o primeiro e o ultimo grupo  de mais de trinta minutos.

E o Júri sabia bem das dificuldades que os ciclistas tinham pela frente, pois à partida, não se cansaram de questionar os ciclistas se achavam que o percurso, devido às condições climatéricas tinha condições para se realizar a etapa.

A pergunta surge óbvia ? Como seria possível a uma equipa abastecer todos os seus ciclistas só com um carro, dado que no “zeloso” cumprimento do regulamento, a maior parte das formações foi impedida de alinhar com o segundo  carro, por falta de um segundo diretor desportivo..

A solução não foi de encontro ao que é normal em situações do género por qualquer comissário experiente, a solução encontrada não foi permitir o abastecimento e a defesa do integridade física dos atletas, mas sim multar os infratores, pelo “gravíssimo” ato cometido.

Naturalmente o que fica no segredo dos deuses é porque carga de água uma etapa havia de ter 149,9 kms ?  Para se evitar a colocação de uma zona de abastecimento sólido ?

Por cem metros, os comissários deram-se ao prazer de escrever, de multar, no final, porém, a quilometragem acabaria por dar mais do que 150 kms.

Por isso, hoje, quando reparei naquele lote de homens preocupados em abastecer os seus ciclistas a 19 kms da meta, lá pensei aí vão mais multas. Mas não, estavamos na Liége-Bastogne-Liége, uma provazita de segunda categoria, a nossa do Prémio das Beiras, essa sim, era uma prova de excelência que, num dia bateu todos os records de multas por abastecimento irregular. Ainda estamos a pensar como o mais penalizado, o correto diretor desportivo da Lokosphins, conseguiu aguentar com a pedalada, só à sua custa somou  mais de 1000 franco suíços, no total das multas ao longo do Prémio.

Glosamos um pouco com o tema, mas o caso é sério .

JC

 

 

 

 

 

 

 

 

3 comentários a “149,9 kms , uma crónica zarolha – glosamos um pouco com o tema, mas o caso é grave”

  1. Se havia abastecimento apeado não estava assinalado no road booking, nem assinalado no local.

  2. Deixe-me informar o sr que escreve esta noticia. Havia abastecimento apeado depois de Manteigas (zona de Vale Formoso)

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