PRÉMIO DAS BEIRAS, COM PASSAGEM NA TORRE?

O ciclismo está, desde sempre, intimamente ligado às autarquias. Inicialmente de forma individual e, em tempos mais recentes, com o auxílio de comunidades intermunicipais, como no Alentejo, ou por associações de municípios, como esta associação de municípios da Cova da Beira, que tem prestado apoio à organização do Prémio Internacional das Beiras e Serra da Estrela, cuja 3ª edição decorrerá entre 13 e 15 de Abril.

Ultrapassando este pequeno apontamento é precisamente da Serra da Estrela que se pretende falar. A terceira e última etapa deste Prémio das Beiras, tem passagem prevista pela Torre. É sempre interessante ver ciclistas na serra da Estrela para além do que se vê na Volta a Portugal, pelo que, será sempre visto com agrado, pelo público, um desenho de uma competição que passe na mais dura subida do país, pelo menos em extensão e altitude.

Embora não esperássemos tantos rigores climatéricos neste mês de Abril, também já se sabia que, a qualquer momento, essa altitude nos pode trazer surpresas constantes em termos de variações de tempo. As previsões para a Torre, dão-nos no dia previsto da passagem dos ciclistas, a melhor temperatura de 2 graus. Nos dias anteriores, o melhor que se prevê, são sempre temperaturas negativas, com queda de neve.

O facto de não se conseguir subir a Torre, pelo acumular de neve e consequente corte de estrada, é de considerar. Claro, pior que subir a Torre com neve, seria descer da Torre para Manteigas com chuva forte, muito vento, nevoeiro, com neve, ou gelo… já se subiu a Torre, sem neve, mas com condições de tempo terríveis, até no Verão. Mas evitou-se sempre a descida. As partes iniciais da descida para a Covilhã, onde, pela altitude do local, normalmente o tempo estará pior, são provavelmente das mais perigosas. Curvas acentuadas, com pouca visibilidade e sem grande protecção lateral.

Evitando positivamente a Torre, mesmo a chegada desta etapa, marcada para a Guarda, poderá trazer algumas dúvidas, sabendo nós que a Guarda fica a mais de mil metros de altitude, com piso empedrado pelo meio. Aliás, todas as etapas, têm contagens de montanha, ou apenas passagens, a uma altitude assinalável. Na segunda etapa há um prémio de montanha quase a mil metros de altitude.

As belas serranias constantes da zona, com subidas e sem esquecer as descidas, são normalmente pouco clementes com os ciclistas. Os profissionais das bicicletas são gente rija, mas, sem o São Pedro ajudar um pouco, mesmo sem neve e sem a Torre, seria bom que a organização tivesse os seus planos alternativos bem delineados.
Luís Gonçalves