TOM SIMPSON, O INGLÊS QUE VENCEU NA FLANDRES

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Em época de grandes clássicas internacionais, recordando que Nibali já venceu no Milão-São Remo, o primeiro dos cinco monumentos, aproxima-se agora o Tour de Flandres. A par do Paris-Roubaix, entre os tais chamados cinco monumentos, talvez seja esta a clássica mais interessante.

Num clima de verdadeira festa, o envolvimento do público é notável, sempre com as gargantas bem afinadas com a boa (ou má!) cerveja belga. Mais do que isso, o perfil e a história da própria corrida dão-lhe traços distintos de quase todas as outras. Entre as grandes provas, foi a única que se disputou durante toda a segunda guerra mundial. Se pensarmos que na Flandres se deram alguns dos combates mais duros e decisivos desse conflito, esta espécie de armistício de um dia, consiste num verdadeiro milagre.

Como se sabe, os belgas dominam esta competição. Apesar disso, no ciclismo actual, sobretudo nas grandes Voltas, são os britânicos que têm demonstrado superioridade. Pese embora o seu crescente domínio dos últimos anos, continuam sem grande sucesso nas clássicas. Não fosse a vitória de Cavendish no Milão-São Remo em 2009 e o deserto seria quase total.

Entre os britânicos, há uma excepção: Tom Simpson. A primeira das suas grandes clássicas, foi precisamente o Tour de Flandres em 1961, a que se seguiram conquistas no Milão São Remo em 1964 e no Giro da Lombardia em 1965, ano em que também se sagrou campeão do mundo de fundo.

Entre os grandes precursores do ciclismo inglês foi Tom Simpson, um pouco em paralelo com Barry Hoban, o mais conhecido de todos. Obviamente que a fatalidade que lhe bateu à porta no Tour de 1967, quando faleceu no Mont Ventoux, ajudou à criação do mito. A discussão sobre as causas da sua morte, continua a ser tema de conversa entre os adeptos da modalidade. Talvez um “cocktail” de anfetaminas e brandy, que contribuiriam decisivamente para a sua desidratação num dia quente de Julho no temível Mont Ventoux. Ou, um mais simples e inevitável colapso cardíaco provocado pela fadiga extrema, num tempo em que a assistência aos ciclistas não era a de hoje, até por imposição de algumas regras regulamentares, os cuidados médicos eram ainda algo limitados em corrida (apesar de ser o Tour!) e a palavra desistir, ou abrandar para gerir o esforço, era impensável.

No contexto, a morte de Tom Simpson, deu o impulso necessário e decisivo ao combate a substâncias proibidas, mas não é isso que se pretende retratar aqui. Como comprovam os milhares de fãs que passam pelo seu monumento todos os anos, perto do seu local de falecimento no Mont Ventoux, Tom Simpson é um dos símbolos do ciclismo. Será para sempre o primeiro inglês a vencer uma das grandes clássicas, o primeiro, e até agora único, clássico britânico no Tour de Flandres.
Luís Gonçalves