a luta contra o vento

O vento traz consequências imprevisíveis, no desenrolar de uma corrida, sendo na maioria dos casos, o pior inimigo dos ciclistas, pois as diferenças de tempo, nos finais de etapas, são muito superiores a uma etapa de montanha.

As diferenças morfológicas entre um trepador e um rolador são bem visíveis. Os trepadores são, na sua maioria delgados e franzinos do ponto de vista muscular, um bom exemplo Alberto Contador, enquanto os roladores são bem constituídos do ponto de vista muscular e morfológico, exemplo Cancellara.

Os trepadores desenvolvem desmultiplicações mais leves, os roladores andamentos pesados, que conseguem desenvolver com facilidade devido à sua maior superfície de massa muscular .

Os trepadores, normalmente são latinos, espanhóis, italianos e portugueses, os roladores são ” arianos” como os alemães, os belgas, holandeses e agora os anglófonos. No meio dos dois, ficam os franceses, que se exprimem melhor na montanha.

Habituados a correr em condições meteorológicas adversas, em especial os belgas, são exímios na formação de “eventails” que resultam, depois nas “bordures”, (não existe um termo técnico em português para estas expressões), disposições táticas que só são possíveis com vento. Os eventails são as formações com que os ciclistas se defendem contra o vento, revezando-se continuamente. Quem não entra no eventail, fica na bordure, ou seja na berma da estrada, sujeito a um maior esforço e a constantes perigos, das quais resultam quedas. Por isso, quando há vento há sempre quedas.

Em Espanha o termo utilizado para estas situações são os abanicos. Dois exemplos que são elucidativos na defesa contra o vento que recuperamos da net.

Pouco habituados a etapas ventosas, os ciclistas portugueses têm grandes dificuldades técnicas em lutar contra o vento. Um dos primeiros erros é não abrirem, para que outros ciclistas possam entrar na fila . O fair play, por vezes, nestes casos, está longe de ser adoptado: muitos ciclistas partem propositadamente a ligação, de forma a prejudicar um adversário que segue mais atrás.

Outro erro, é quando um eventail ocupa toda a faixa de rodagem, os ciclistas que estão sem abrigo e ficam na cauda, têm de imediatamente formar um outro eventail para se defenderem, o que nem sempre sucede, pelo menos no nosso país.