caso wiggins : não seria melhor a lappartient estar calado ?

David Lappartient, o novo presidente da UCI é francês, tendo sucedido a um britânico. Coincidência ou não, no dia em tomou posse, dois jornais, um francês e um britânico tornam público uma não conformidade respeitante a Chris Froome. Uma situação, ela própria, uma não conformidade. Isto é, a notícia nunca devia ter sido tornada pública. Quem a passou ? Muito suspeita esta coincidência.

A luta pelo poder nos cadeirões da UCI foi feroz, ataques e, depois do resultado substituições diretivas sucederam-se no organismo internacional, com lugares de topo a serem tomados por franceses.

David Lappartient parece ser um homem radical:  luta incessante contra o doping, em especial mecânico. Luta incessante contra os auriculares,  reduzindo a capacidade de entender se o ciclismo é um desporto organizado, em termos táticos, e alterações no esquema do calendário internacional. Como bom francês que é, considerou que o Tour é a única prova que pode ter 21 dias, e Giro e Vuelta apenas 15 dias e três fins de semana.

Continuando com os erros dos seus antecessores, não defende o espólio da sua modalidade, os ciclistas e equipas  suspeitos  e sem prova fundamentada , de falta de ética,  ao contrário do que fazem os responsáveis de outras modalidades que defendem os seus atletas, das críticas dos jornalistas ou de entidades que levantam interrogações de práticas , afinal, usuais em todas as modalidades. Gostaríamos de saber, como vai o presidente da UCI descortinar se os corticosteróides  utilizados pela Sky, prescritos medicalmente para preservar possíveis problemas de ordem física de Bradley Wiggins, foram utilizados com outra finalidade.  Lappartient deveria estar calado, e no mínimo estar do lado dos seus, até que o problema fosse resolvido e, só então, poderia falar.

Entretanto, pelas bandas da UCI continua por resolver o problema de André Cardoso, cuja contra análise foi considerada inconclusiva. Isto é, não provou o controlo positivo da amostra A.  A UCI tarda em resolver o problema, arrasta-o, esperando que o atleta justifique, o inexplicável :  porque razão o frasco A deu positivo .

Não seria melhor a UCI justificar porque razão o frasco B deu inconclusivo e encontrar, ela própria uma razão que possa justificar a positividade da análise A ?

Não estará em causa, no meio de tudo isto,mais uma não conformidade de um laboratório. Dando razão ao ciclista, o laboratório de Lausanne terá de ser suspenso, por duas razões:

– ou analisou mal a primeira análise, efetuada sem quaisquer testemunhas.

-ou conservou indevidamente a segunda análise, que não deu positivo talvez porque teve testemunhas a assistir. Seja como for, se a segunda análise deu inconclusiva por eventualmente poder estar ” estragada”, não foi o atleta que contribuiu para isso, nem foi o atleta que a conservou em seu poder.

Se o problema de Froome for resolvido da mesma forma que está a ser resolvido o caso André Cardoso, nem para as calendas do Natal o resultado será tornado público. O que acontece neste caso é que, ao contrário de Cardoso, a Froome não faltam recursos técnicos, e sobretudo financeiros para sustentar a sua posição. Veremos se o português tem os recursos, sobretudo financeiros, para ir até ao fim com o seu caso.