APONTAMENTOS DA VOLTA AO ALGARVE

No final da 44ª Volta ao Algarve, podemos dizer que nós, portugueses, só podemos estar orgulhosos. Enfim, podemos não ter tido o que esperávamos desportivamente das nossas cores, mas em termos organizativos, o que ressalta à vista de todos é uma prova merecedora do escalão que ocupa na hierarquia das corridas UCI.

Porventura, neste caminho de sucesso, alguns ainda tentarão ignorar, por exemplo, a presença massiva de público, todos os dias, sobretudo durante o fim-de-semana. Note-se, um público que em muitos casos, se desloca de bem longe para o Algarve. O clima é um pólo atractivo, mas se não estivesse lá esta Volta ao Algarve, estas resmas de gente de outras e distantes zonas do país, certamente não iriam para lá. Quando cada vez mais se vêem estádios (quase) vazios, em completa, e já ridícula, desproporcionalidade com as atenções da comunicação social ao futebol, só pode fazer bem ao ego do ciclismo esta atenção verdadeiramente popular, bem diferente da opinião publicada.

Apesar do descrito, embora sem o merecimento completo, a Volta ao Algarve merece já alguma atenção por parte dos meios de comunicação social, a nível interno e, por razões de exploração comercial da imagem algarvia, a nível internacional. Externamente, são constantes os anúncios, que nos dizem qual é o novo segredo europeu. O interesse é essencialmente comercial e de turismo (convém ter amigos…) mas os ciclistas presentes, e sobretudo as equipas, também ajudam e não é pouco.

Por cá, a transmissão da Eurosport, com os padrões habituais, apesar de tudo com boas imagens e com os comentários esforçados de quem não está muito habituado a comentar provas com equipas nacionais. Esforçados, mas produtivos. Se estes foram esforçados, na TVI24, pareciam forçados. Independentemente de vivamente agradecer a um canal nacional a transmissão da Volta ao Algarve, pareceu uma transmissão realmente forçada, com relativamente pouco tempo e despropositado corte imediato no final da etapa.

Positivamente, entrevistavam algumas figuras, acto sempre interessante para quem vê, mas mesmo aqui é preciso aconselhar os momentos escolhidos para a entrevista! Têm um longo caminho a percorrer no comentário. Se na Eurosport se esforçaram por colmatar algumas circunstâncias do ciclismo nacional, na TVI24 ficou muito mal ao especialista em ciclismo ignorar pormenores essenciais das nossas equipas.

Desportivamente, todos esperávamos um pouco mais dos portugueses, essencialmente dos que correm lá fora. Nelson Oliveira foi décimo quando já contávamos com um ideal lugar no pódio. Mas enfim, são as corridas, ou tácticamente ou por azar de percurso, como aconteceu a outros, faz tudo parte de uma prova. As equipas portuguesas, são ainda um pouco apanhadas desprevenidas nesta fase da época. Não é fácil, sem grande rodagem, enfrentar 13 equipas Worldtour, com todos os seus ciclistas e, não menos importante, estruturas inimagináveis na nossa realidade. Só no contrarrelógio, as diferenças são abismais…

De fora, mas cá de dentro, chegaram-nos, de novo, criticas à prova. Já sabemos que o Tiago Machado é algo impulsivo no comentário, como aliás na forma de correr. Tenho tendência a não concordar com o essencial das suas declarações, até algo ofensivas, mas numa coisa teremos de dar a mão à palmatória.

À sua maneira, o Tiago expõe a falta de experiência de alguns elementos do pelotão. Como é óbvio, senão seria um contra senso, a organização da Volta ao Algarve (UVP/FPC) não poderia excluir nenhuma equipa nacional, como outras organizações parecem querer fazer. Mas não deixa de me fazer alguma confusão lançar ciclistas que no ano passado ainda eram Juniores, com a maioria do tipo de provas que sabemos existirem neste escalão, às feras da Volta a Algarve e às estradas algarvias.

Não deixamos por isso de ter três representantes de equipas nacionais entre os cinco melhores jovens. Mas já ciclistas com um arcaboiço diferente, alguns até já com experiências no estrangeiro, com outros pelotões.

De qualquer forma, um bom percurso pelas tradicionais (e há muitos anos assim ) curvas algarvias, uma organização sem grandes manchas visíveis que só nos pode elevar no prestígio de fazer boas corridas internacionais, muito e verdadeiro público e, já agora, a manutenção do recorde de vitórias num português, já que a Sky não quis que Geraint Thomas igualasse o número de vitórias (três) de Belmiro Silva, só nos podem fazer pensar que não fosse a presença de Froome na Andaluzia, e poucos saberiam que também decorria a Ruta del Sol, porque de Omã, nem eu sei quem ganhou! Nem me interessa (só se fosse o Rui Costa)!
Luís Gonçalves

6 comentários a “APONTAMENTOS DA VOLTA AO ALGARVE”

  1. Interessante será dizer que deste lado da península, não houve um segundo, ou uma linha sobre a volta algarvia.

  2. Concordo com quase tudo q foi dito isto é meio jornal meio fórum de críticas xd mas até concordo com maior parte que se diz. É Tiago Machado perdoem me mas não gosto da forma de ele comunicar nem como gosta de se evidenciar a si mesmo. A culpa é dos jovens estradas blabla. Li comentários de porte geraint. Tejay, e todos pareceram gostar da corrida e q terá sido boa preparação. Já nem tomo atenção ao q o Tiago diz sinceramente

  3. Se o Luis Filipe leu, no dia anterior , foi mencionado o feito de Ruben Guerreiro. Quanto ao 10º lugar de Nelson Oliveira parece-nos um resultado de acordo com as suas capacidades e resultante do tempo obtido no C/RI, e portanto normal em situações do género.

  4. Este artigo constitui um verdadeiro insulto aos ciclistas portugueses que correm no estrangeiro, mais parecendo que o ilustre escriba não viu a Volta ao Algarve, tão entretido que esteve em criticar os comentadores das estações televisivas.
    Será que não havia lugar neste artigo a uma menção à brilhante última etapa do Rúben Guerreiro, que nos proporcionou um extraordinário espectáculo de garra, querer e enorme qualidade, assim como menosprezar o top ten do Nélson Oliveira não será, no mínimo, patético?!.

  5. Não querendo criticar muito a TVI24, porque vê se o esforço crescente em passar mais ciclismo na emissão, tem uns comentadores demasiado maus. Até se poderia dar o desconto de serem novos nisto, mas a TVI já transmite ciclismo há pelo menos 1 ano e os comentários continuam ao mesmo nível, reduzido.

  6. Excelente artigo. Finalmente o reconhecimento do valor desta prova. Acrescento a propósito dos que se deslocaram para assistir a esta corrida que junto a mim, no Alto do Malhão, estavam cerca de uma dúzia de turistas ingleses maravilhados com o espectáculo e toda a envolvência humana incluindo a natureza deslumbrante. Será que Lisboa e o resto do país sabem que existe um lugar chamado Malhão, algures na serra algarvia?

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