kwiatkowski levou “a taça” – Tanto vale ganhar um como outro, dizemos nós. Mas será que é assim mesmo ?

A Sky apostou numa forma, já muito tradicional de controlar uma corrida: da frente para trás. Ao colocar Michal Kwiatkowski  no  numeroso grupo de fugitivos, que se isolou logo à partida de Faro, o polaco integrou-se no grupo, levando a corrida controlada.

Cá atrás o pelotão deixou galgar terrenos aos 31 ciclistas que se isolaram, e indiferente a convénios estratégicos, os britânicos, pouco ortodoxos na hora de decidir, apostaram na fuga e no triunfo do polaco, em detrimento de Geraint Thomas.  Bem sabemos que a Volta ao Algarve ainda é uma corrida pequena, para estes grandes ciclistas,em questão de curriculum, mas a verdade é que Thomas não deverá ter ficado muito contente, com o resultado. Afinal, quem não gosta de ganhar ?

Na chegada em pelotão, Thomas seria terceiro e, porque não dizê-lo, talvez Vicente de Mateo tivesse sido primeiro, não fosse a fuga, mas isto são vatícinios que valem o que valem. O que é certo é que a Sky ficou um pouco manietada, quando autorizou a fuga e, depois bem quis neutralizá-la mas já foi tarde. Na frente o grupo era numeroso e com bons elementos e a Sky só tinha quatro elementos na pelotão para perseguir. Tentou mas não conseguiu terminar com a escapada.

Tanto vale ganhar um como outro, dizemos nós. Mas será que é assim mesmo ?

Segundo na etapa, Ruben Guerreiro beneficiou da escapada, onde se integrou desde o início e não fosse um ciclista da estirpe do antigo campeão do mundo e o triunfo seria seu. Lutou, também um pouco contra a adversidade do azar na primeira etapa, e foi à procura da glória, tal como talvez o fosse Mateo. O fosso, contudo, continua a ser grande entre este tipo de ciclismo tão diferenciado, mais pelo período da época em que a prova é disputada. Fosse este Volta ao Algarve disputada em maio ou junho e o nível competitivo dos portugueses seria de um outro patamar.

A Volta ao Algarve chegou ao fim com um banho de multidão, importante para quem afirma que o ciclismo está fora de moda, e que se resume apenas à Volta a Portugal. A popularidade da modalidade ficou bem vincada ao longo desta semana . Não seremos tão papistas como Bruno de Carvalho ao aconselhar aos seus conterrâneos para deixarem de ler jornais e televisões, mas seria aconselhável que os editores, e redatores chefes dos jornais, que nunca saem dos gabinetes pudessem, no mínimo, ter a bondade de ter assistido a uma etapa desta prova, para chegarem à conclusão que o ciclismo é, sem duvida, uma das modalidades mais populares do contexto desportivo nacional.