UAE trabalhou e sky tirou os lucros- precisa o ciclismo de heróis ?

Quem trabalhou quase sempre ao longo da etapa foi a equipa da UAE Emirates Arabes, mas quem colheu os frutos no final, foram os homens da Sky. Primeiro porque ganharam a etapa com Michal Kwiatskowski, segundo porque alcançaram a liderança, por intermédio de Geraint Thomas.

A etapa foi marcada por uma fuga,  Lukas Pöstlberger (Bora-hansgrohe), Yves Lampaert (Quick-Step Floors), Benjamin King (Team Dimension Data), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Marcos Jurado (Efapel), Oscar Pelegri (Rádio Popular-Boavista) e Ricardo Mestre (W52-FC Porto), foram os homens que se aventuraram, logo ao km 11 de corrida, para resistirem até à entrada de Monchique.

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As fugas, hoje em dia , estão condenadas ao malogro, o que tem provocado algum descontentamento nos adeptos da modalidade. Há um entendimento nas equipas que puxam no pelotão, e todas elas, mais km menos km, estão condenadas, salvo raríssimas exceções.  Não há nada que recompense os aventureiros, ” baroudeurs”, como dizem os franceses, nem sequer as bonificações os compensam.

As bonificações deviam ser “jogadas” ao longo da etapa, em pontos chave, e abolidas nos finais de etapa, desta forma recompensar-se-ia com tempo, quem anima a corrida, quem faz pela vida e quem se esforça. Mas não é isso que acontece, quer aqui no Algarve, quer em qualquer outra corrida do mundo, o ciclismo tem de criar mecanismos que lutem contra a monotonia e a repetição, etapa após etapa, de uma nova forma de correr, muito pouco competitiva.

Uma situação que competiria à UCI estudar, de forma a combater a atual forma de correr, distante de outros tempos, em que os fugitivos eram recebidos na meta como heróis. Vem a talhe de foice, e como exemplo disto, o triunfo de Tiago Machado, na prova de Abertura, um triunfo à ” antiga”, disseram muitos, que se lembravam como o ciclismo era animado e entusiasmante noutros tempos.

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A organização tem um bom percurso, mas ficamos um pouco confusos quando lemos  : “Cumpriu-se o objetivo da organização da corrida quando decidiu que a Fóia deveria ser subida pela vertente mais longa e menos inclinada: fazer com que as diferenças no final da etapa fossem diminutas para que tudo permaneça indefinido e emocionante na luta pela Camisola Amarela Algarve. “

Tudo bem, mas amanhã, no longo C/RI de Lagoa, 20 kms vão fazer muitas diferenças, e a luta indefinida e emocionante pela camisola amarela, talvez possa ficar um pouco desiquilibrada. Jogar com que as diferenças sejam diminutas, ou nulas nas montanhas, para as aumentar nos C/R, não nos parece uma ideia que possa contribuir para uma maior competitividade e animação da corrida, bem antes pelo contrário.

Na impossibilidade de existirem fugas, ou ganho de segundos importantes nas chegadas em alto, são os C/R que regulam e escalonam as gerais individuais. Nos 20 kms de amanhã, as diferenças vão ser grandes, mas esperemos para bem da prova, que bem o merece, que tudo permaneça em indefinição e que a chegada ao Malhão possa ser decisiva. Com um C/R e sem bonificações, numa prova tão curta, a prova ficou desequilibrada .  Numa Volta a Portugal, por exemplo, as bonificações já podem ser um exagero.

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Voltando à corrida, uma referência para a Sky, apenas nos últimos 15 kms esteve ativa, e bem, com Kiryenka a mostrar que a sua veterania ainda é um posto. Atacou a meio da subida, obrigou os adversários a ripostarem, colocou os seus chefes de fila bem abrigados, atrás de quem perseguia e, no momento certo, o polaco antigo campeão do mundo não perdoou.

Sem diferenças de tempo, sem bonificações, o escalonamento dos melhores foi feito por pontos, com Geraint  Thomas a ser o novo líder.

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Do lado dos portugueses ou das nossas equipas, melhor dizendo, Vicente Garcia de Mateo foi o melhor, o que até não admirou. O espanhol do Louletano já o ano passado teve uma boa prestação, mas quem também esteve bem, foi Joaquim Silva, na 14ª posição.

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Amanhã o C/R I  pode lançar um novo leader da corrida. Favoritos:Thomas, Porte, Nelson Oliveira e, sobretudo Bob Jungels, vamos ver se acertamos com algum destes nomes. Nelson Oliveira esteve particularmente bem, reconhecidas que são as suas insuficiências a trepar. O bairradino, para chegar onde chegou tem de estar bem, logo, é por direito próprio um dos favoritos para amanhã. Destaque, ainda, nos vinte primeiros, para César Fonte da W52 -FCP, que cortou a meta apenas 15 segundos depois do vencedor, na 19ª posição.