Bons tempos que me fazem lembrar com nostalgia, o ciclismo algarvio, como o melhor do mundo

Ah, o Algarve, verde e refrescante neste quase final de inverno, com o sol a espreitar e o termómetro muito baixo, para o que estamos habituados. A chuva, essa, tarda em aparecer, numa altura em que todos precisamos e, curiosamente, uma prova que, qual tradição perdida, sempre chovia.

Cayn Theakston, o menino bonito de Luís de Matos e de qualquer louletano que se prezasse.

Dizia-se que não havia Volta ao Algarve que não chovesse, mesmo aquela Volta desgraçado, em que Cayn Teakston, com a camisola amarela, vestida por cima do jersey do seu clube de eleição, o Louletano, partiu a perna nas cercanias de Almodovar, tudo isto por causa da chuva.

A tradição já não é o que era. O ciclismo modernizou-se, formalizou regras a nível mundial e aquilo que era tradição, as celebres voltas à pista de Loulé, em que as séries, as malditas séries,um dia derrotaram Marco Chagas a favor  de Fernando Carvalho, os dois da mesma equipa e que competiram um contra o outro, com o velho Emídio Pinto e o impagável engº Luis de Matos a lamentarem-se da traição do ciclista nortenho.

O Algarve, do José Viegas Ramos, o Zéquinha, que durante anos foi a alma mater da prova, com uma semana de duração e com inovações de vulto, na sua altura. Ou as Voltas ao Algarve que o saudoso Zeca Teixeira não deixou cair. E as ultimas, penosas, da dupla Rogério/ Caliço que trouxeram, durante alguns anos, o epicentro do ciclismo para região sul do país, eles que resistiram e bem, a uma incursão da PAD, que não teve pernas para continuar com a dura tarefa de organizar a Algarvia.

Hoje, a Volta ao Algarve, já não é organizada pelos algarvios, a Federação tomou conta das rédeas, depois de uma pré falência da respetiva associação, tudo por causa de uma divida à RTP, porque um dia se abalançaram a transmitir a prova em direto, e depois. no final, não houve dinheiro para tudo. Alguém falhou, ou alguém não quis ajudar a resolver o problema, parece-nos mais assertiva a segunda hipótese.

De uma maneira ou de outra, no Algarve o ciclismo tem popularidade, o seu público sabe de ciclismo, e as velhas rivalidades ficaram um pouco pelo caminho. Loulé e Tavira. cada uma com a sua equipa, não alimentam grandes rivalidades hoje em dia. Até  nos restaurantes a coisa esfriou um pouco.

As tertulias no Pescador ainda existem, mas são diferentes, mais consensuais.

Do lado de Tavira, o Alpendre e em Loulé, o restaurante O Pescador que, sendo eu ainda um menino e moço, lia as crónicas do saudoso Homero Serpa, e pensava, comigo mesmo que era o melhor restaurante do Algarve. Não o seria, como é óbvio, mas foi lá, com o  Fernando , ao balcão, que grandes discussões se passavam, sempre entremeadas, ou com um wiskye de permeio ou uma cerveja. Tenho saudades desses tempos e de não poder contar entre nós, dos amigos Manuel Maduro e o engº Brito da Mana. Bons tempos que me fazem lembrar com nostalgia, o ciclismo algarvio, como o melhor do mundo.

JS