VOLTA AO ALGARVE – PRÉMIO CERVEJA MARINA, E COMO GANHAR A “ALGARVIA” COM TRÊS CICLISTAS

Em 1977, após um interregno de alguns anos, surge a 3ª edição da Volta a Algarve, coroada pela primeira das três vitórias de Belmiro Silva, ainda o recordista de triunfos na prova.

Ao contrário do que hoje sucede, por esta altura, a Volta ao Algarve corria-se em Outubro, sob a organização da então Associação de Ciclismo de Faro, em edições bem marcadas pelas etapas corridas nas pistas de Loulé e Tavira, aliás, duas localidades vizinhas que desde sempre vincaram bem a sua presença nesta competição e no ciclismo nacional. Também já lá estava a Fóia (Monchique), numa etapa de 144 Km que partiu de Portimão.

Actualmente, teríamos que lhe chamar “name sponsoring”, mas em 1977, apenas, patrocinador oficial. Chamava-se então Volta ao Algarve – Prémio Cerveja Marina. Hoje em dia associamos esta marca de cerveja ao Norte, e a uma grande superfície com sede no Norte. Mas na altura, não existiria patrocínio mais condizente com o espírito algarvio, já que, apesar da tal ligação actual a outras paragens, esta cerveja Marina, nasceu e cresceu, em Loulé, associando-se como outras marcas à sua Volta.

Saltando uns anos à frente e rumando a 1991, vemos no palmarés da prova inscrita a vitória de Joaquim Andrade (filho), em representação da Sicasal-Acral. Numa edição já disputada em Abril, o que as estatísticas não nos dizem, é que essa vitória suadamente disputada com Joaquim Gomes (Lousa) foi alcançada com a preciosa ajuda de apenas mais dois companheiros de equipa: o experiente José Poeira e o incansável Carlos Pinho.

Naturalmente que a Sicasal alinhou à partida com todos os corredores permitidos, mas, foram abandonando a prova nas primeiras etapas para prepararem a participação na Vuelta.

Quando à quinta etapa, num contrarrelógio individual, Joaquim Andrade, vestindo a amarela (com patrocínio da cerveja Cristal…) ficou um segundo na frente de Joaquim Gomes, teria ainda de enfrentar, no dia seguinte, na sexta etapa o alto da Picota (88 Km, realizados de manhã), onde se defendeu e, de tarde, as séries da pista de Loulé, onde ganhou mais nove segundos a Gomes.

No último dia, 8ª etapa, chegada em pelotão vencendo Pedro Silva, à altura, no Boavista. Integrado nesse pelotão Joaquim Andrade vence a Volta ao Algarve, contando com apenas dois companheiros de equipa, desde que envergou a amarela.

Não é que lhes tivesse faltado método, mas, tal feito seria provavelmente impensável no ciclismo bem mais metódico de hoje. Para o melhor e para o pior, pelas nossas bandas, só Tiago Machado e poucos mais continuam a violar as rígidas regras impostas pelo ciclismo moderno. Diga-se que, por vezes, ainda bem.
Luís Gonçalves