FROOME: COMPETIR OU NÃO COMPETIR?

O mundo velocipédico está dividido em relação à participação de Froome na próxima Ruta de Sol, na Andaluzia, prova que coincide em datas com a Volta ao Algarve.

Mais do que competir, e fazer render os muitos quilómetros de treino que o britânico parece já ter feito na preparação desta época, Froome e a Sky, colocam pressão na UCI, para que surja uma decisão com a maior brevidade possível.

Relembre-se que os casos com resultados analíticos atípicos, como o de Froome, não implicam a possibilidade de uma suspensão, decidida pelas entidades controladoras, mas antes de um procedimento de investigação. Resta a essas estruturas, e a muitos outros, pressionar a equipa inglesa a suspender Froome por iniciativa própria.

Como é fácil de calcular, a Sky, não suspende Froome (a não ser que convenha!), antes de mais porque é Froome, mas também porque não sentirá grande vontade de prestar vassalagem à actual estrutura da UCI. A Sky, quer se goste ou não, mais não fez até agora do que cumprir os regulamentos existentes, e que a UCI e outros veneram, usando-os claramente a seu favor. Quem não faria o mesmo?

Uma suspensão de Froome por parte da Sky, entregava de mão beijada todo o tempo do mundo, e mais algum, para decidir o caso. E bem sabemos que a UCI lida muito mal com o excesso de tempo, sobretudo quando corre a seu favor. Não podemos ter grandes dúvidas, por exemplo, que se o André Cardoso não estivesse suspenso (pela UCI e pela equipa), já teríamos tido uma decisão. A condução do processo do português, deixa mais mal vista a modalidade do que os doze controlos positivos na Volta à Costa Rica. Deixa-nos seriamente a pensar na honestidade e sentido de justiça de quem nos deveria orientar e regular.

Para além da Sky, podiam ser também as organizações a obstaculizar de alguma forma a presença de Froome nas suas competições. Não parece que na Andaluzia o inglês seja assim tão indesejado.

Publicidade é publicidade, e quase todos os olhares mundiais da modalidade vão estar concentrados no Sul de Espanha, que certamente aproveitará para mostrar as suas praias.

Neste contexto seria curioso perceber o que pensariam os portugueses se Froome tivesse optado pelo Algarve. Embora em circunstâncias ligeiramente diferentes, Alberto Contador, passou por cá em 2011, quando era alvo de um processo por controlo anti-doping positivo, ano em que teria feito quarto da geral, não fossem os resultados posteriormente invalidados.

Luis Gonçalves

1 comentário a “FROOME: COMPETIR OU NÃO COMPETIR?”

  1. Não sei qual é o problema se ele quiser mesmo que venha a ser castigado pode vir correr para Portugal que a federação autoriza pois quase todos os atletas castigados por doping continuam a competir como por exemplo no raid das masseiras nos grandfundos. Bem não pode é fazer parte do staff da volta a Portugal

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