A DOPAGEM NA AMÉRICA DO SUL

Com os últimos casos de dopagem verificados em competições sul-americanas, dada a sua quantidade excessiva, surge um alerta de uma realidade que já era de certa forma conhecida mas que, porventura por também o controlo ser agora mais rigoroso, cai em números exagerados e nada benéficos para a modalidade.

É certo que vinte ou trinta destes casos positivos, mediaticamente, não equivalem a um único controlo positivo de Froome, de Contador, Armstrong, ou qualquer outro ciclista desta mesma dimensão. Apesar disso, não deixam de ser um problema com origens profundas e preocupantes para a modalidade, não deixando de contar para uma estatística que já não nos é muito favorável.

Não sendo uma situação recente, ou que fosse desconhecida dos meandros do ciclismo, se somarmos este último anúncio da Volta à Costa Rica, com um ainda recente da Volta à Colômbia, não deixamos de ter, anunciados, vinte casos de controlo positivo, num período competitivo imensamente curto e muito circunscrito geograficamente.

Olhando para a grande maioria dos casos, vemos o padrão do ciclista jovem que utiliza substâncias e sobretudo os métodos de administração dessa mesmas substâncias perfeitamente em desuso, ou seja, de forma muito pouco elaborada. O padrão do uso parece levar-nos a um perfil claro: o do jovem sul-americano, à vezes integrado em equipas continentais dependentes de equipas de topo, que quer abandonar a “miséria”, dando o grande salto para o ciclismo corrido na Europa, de preferência, em estruturas Worldtour. O perfil será o mesmo de qualquer jogador de futebol sul-americano, no entanto, bem menos visados pelas estruturas de controlo.

Sem querer desprestigiar ninguém, bem se sabe que os latino americanos são mais propensos à violação de normas do que os europeus. São os factos. Não será porém de duvidar que a mesma situação que leva os jovens sul-americanos a cometerem algumas loucuras, valha também para os jovens europeus. Na circunstância certa, as mesmas poucas expectativas, os mesmos baixos salários, o que o jovem tem a perder se arriscar é, como sabemos, muito pouco. Pode perder a modalidade, mas o risco próprio do atleta pouco mais tem do que compensações. É a diferença entre ter um trabalho fora do ciclismo, por vezes até relativamente bem remunerado, ou um bom contrato profissional no ciclismo, continuando, apenas, uma opção de vida.

Mais do que isso, como já em tempos idos dizia o nosso bom amigo padre António Vieira, “a necessidade não tem lei”, o que faz com que se vejam os riscos de uma forma muito mais ligeira e leviana. Em bom português é o que se lixe (ou outra coisa!), se correr bem sou o maior, com um bom contrato, sabendo que a penalização do correr mal é bem maior para a modalidade do que para o atleta.

Aqui também convém que as estruturas da modalidade estejam atentas. Toda a estrutura, mesmo europeia, que patrocina um ciclismo sub-humano também se está a pôr a jeito. Não invalida isto que, a outro nível, como também é evidente, não aconteçam situações indesejadas. Serão é mais pontuais, e não a esta escala completamente desproporcional.

Quanto ao demais, a bem das nossas corridas, convém que se tenha especial cuidado, sobretudo em algumas provas que, historicamente, recorrem em demasia a estes pelotões sul-americanos, ou até, algumas equipas nacionais que vão tapando buracos com potencias ciclistas destes. Não deverá pagar o justo pelo pecador, mas convém existir prudência.
Luís Gonçalves

1 comentário a “A DOPAGEM NA AMÉRICA DO SUL”

  1. Primeiro a costa rica é América central e segundo quem inventou o doping foram os europeus , então não venha falar mau do ciclismo do nosso continente sendo que vcs europeus não estão muito melhores nesse sentido que nós , ou vcs não tem problema com doping ?

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