A DEFESA DE FROOME E O EQUIPAMENTO DA MOVISTAR

Agora que começou o ciclismo a sério (na estrada), embora ainda um pouco arredado do continente europeu, já pouco resta a outras preocupações dos amantes da modalidade.

Obviamente que continuaremos a acompanhar o processo de Froome, onde a estratégia e defesa tem sido permanentemente referenciada. As opiniões podem divergir, mas a generalidade da comunicação social tem optado por criticar negativamente a estratégia seguida. É muitas vezes comparada com o que foi então o procedimento seguido na defesa de Diego Ulissi que confessou a ultrapassagem (esta ultrapassagem não tem nada a ver com os resultados finais da análise, mas com o momento da administração da substância) dos limites permitidos na utilização legal de salbutamol, negando a existência de pretensões a melhorar o rendimento desportivo.

Mas, nas estratégias de defesa, quer, no futuro, dêem resultado positivo, ou não, nunca devemos alienar a questão ou a pessoa em concreto. E Froome, não é Ulissi. Ou seja, no imediato, é muito mais fácil uma confissão de Ulissi (nem que fosse falsa!) do que de Froome. As implicações da confissão deste seriam, naturalmente, muito maiores para ele e para todos os envolvidos na modalidade. Também não é menos verdade que as defesas tentam jogar com o sistema e, dentro deste sistema, a argumentação de Froome (que se conhece) não é assim tão má.

Outro acontecimento, fora da estrada, tem marcado a modalidade. O equipamento da Movistar para 2018 está, quanto a mim, mais atractivo. O problema e que é quase igual ao da Astana, que leva anos desta forma. Podemos perguntar-nos porque é a UCI, por vezes, tão rigorosa com algumas mesquinhices e deixa o pelotão Worldtour (mencionando só este) ter equipamentos quase iguais.
Os problemas de rápida identificação não serão só dos ciclistas, directores ou comentadores televisivos. No meio de uma situação de avaria, ou de queda que envolva alguns elementos, no meio da “molhada” que é o pelotão, os próprios comissários ficarão confusos com a informação que hão-de passar aos carros, sabendo nós que essa informação é tanta vezes decisiva.

Aqui, podemos colocar a hipótese de ser outra qualquer equipa, sem ser a Movistar, a querer ter um equipamento igual ao da Astana. Que diria o sistema da UCI?
Luís Gonçalves