A SEMANA DE PORTUGAL, DO MUNDO E DO DANIEL SILVA

Por estes dias, em Marrazes, no escalão principal, Vitor Santos confirmou a vitória na Taça de Portugal de Ciclocross, a uma prova do fim. Daniela Pereira, apresenta-se como a principal candidata à vitória nesta competição entre as Elites Femininas, ficando a confirmação dos resultados guardada para a última prova da Taça de Ciclocross.

Na Anadia decorreu também a Taça da Pista, com Ivo Oliveira a confirmar o seu favoritismo, seguido do irmão Rui Oliveira e de César Martingil.

As equipas, continuam a sua preparação acelerada. Os ciclistas treinam, fazem testes físicos, experimentam bicicletas, acertam medidas, e vestem novos equipamentos. Os directores e demais dirigentes das equipas, as mais das vezes, afundam-se em burocracia com contratos, patrocinadores, planeamento da época, inscrições, viaturas, seguros, cauções (não se esqueçam delas!) para estar tudo operacional, ou o mais operacional possível, na já ansiada prova de abertura, nalguns casos, provavelmente, até um pouco antes.

Da Volta ao Algarve, a ritmo compassado, vão aparecendo as constituições das equipas, ou, para aguçar o apetite, apenas a enunciação de algumas figuras notadas no ciclismo internacional da actualidade.

Entretanto, lá por fora, bem abaixo de nós, na Austrália, algumas dessas grandes equipas e figuras internacionais, preparam o Tour Down Under, de manga curta. Ainda em Janeiro, e também de manga curta, uma boa parte do principal pelotão competirá na Argentina, em San Juan. Provavelmente, há uns anos, se dissessem a Fausto Coppi que iniciaria a época na Austrália ou na Argentina, diria que estava tudo louco. Se calhar nem Eddy Merckx, na sua altura, acreditaria que um australiano ganharia o Tour. Já podemos acreditar que um dia o Giro começará no Japão.

Pela voz de Prudhomme foram anunciadas as equipas convidadas para o Tour 2018. A Vital Concept, de Coquard, fica de fora. Mais do que isso, porque são muitos os que ficam de fora, a justificação da escolha pôs de novo a nu a defesa por uma sistema de promoção/descida de divisão, como existiu até há bem pouco tempo.

O sistema actual é injusto, porque favorece o dinheiro em detrimento do rendimento desportivo, para além de ter contas diferentes divididas pelos vários continentes. Apenas o Worldtour, cobre todo o globo de forma igual, desde que, os ciclistas sejam de equipas Worldtour. Desinteressantemente, Bouhanni (Cofidis, equipa profissional continental) pode ganhar uma etapa do Tour, sem que isso o faça pontuar para o ranking Worldtour.

Ainda em Portugal, foi finalmente decidido o caso de Daniel Silva. Dois anos de suspensão, quase já cumpridos na íntegra, por um ato negligente. Pouco há a assinalar em relação à pena aplicada, resumindo-se muito à letra da lei. Nunca fui especial fã do Daniel Silva mas, no meio disto tudo, laboratórios para trás e para a frente, é evidente que o seu também não foi o único ato negligente. O próprio Estado, se pretende ser de Direito, tem que andar atento a estas coisas. Não pode querer cobrar tudo a uns e deixar andar os outros à vontade.

Outro pormenor interessante desta situação é o de que o Daniel Silva, apesar de a Lei dizer que ele está livre para competir em Maio, onde quiser, se o quiserem, à luz, do que se sabe e é público, do tal contrato de concessão da Volta a Portugal (do qual já se falou), não poderia realizar esta competição, nem a equipa que o tivesse na sua ordenação, se o seu caso fosse assinalado depois de 2018. No caso, o efeito até poderá ser reduzido, mas se falarmos em ciclistas mais jovens onde será mais notório, volto a dizer, a penalização vai para além da penalização real. A título de negligência, repare-se que um individuo que cometa um homicídio por negligência (um atropelamento… ninguém está livre de o fazer!), pode, naturalmente voltar ou continuar a conduzir.

Quem define os baluartes da honestidade e da legalidade são os legisladores. E o normativo legal tem regras, nomeadamente hierarquia. Também não devemos esquecer que quando apontamos um dedo aos outros, apontamos três para nós.
Luís Gonçalves

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