será o circo de world tour assim tão sustentável ?

Não é fácil a manutenção de uma equipa em qualquer escalão dito profissional, dados os diversos imprevistos e constrangimentos que os seus promotores arrastam ao longo do seu percurso.

Vivendo exclusivamente de patrocínios, o ciclismo profissional teve e tem  várias e diferentes fontes de financiamento, normalmente com curta duração, obrigando a uma cíclica procura de novos sponsors, o que por vezes não é fácil de encontrar.

Vistas bem as coisas, os patrocinadores no ciclismo não abundam, pelo menos as grandes marcas, se olharmos, por exemplo, para o pelotão World Tour, onde uma equipa tem um orçamento que orça entre os 12 e os  30 milhões de euros / ano, verbas que podem ser consideradas exorbitantes e, por vezes limitativos para, num curto espaço de tempo, se  encontrar um novo sponsor .

As equipas vão-se mantendo, com contratos renovados, normalmente de três em três anos, mas haverão tantas patrocinadores para sustentar um pelotão de luxo e onde os luxos e as mordomias são evidentes, em gastos, por vezes supérfluos e onde uma boa  gestão deixa muito a desejar ?

Vem a talhe de foice, a ansiedade que a equipa da BMC já vive, e estamos no início de temporada, para manter a sua equipa, ( que custa uma bagatela de 25 milhões de euros ), para o ano de 2019, o que levou já os seus responsáveis , a ter de encontrar até o final da primavera um novo sponsor, pois o bilionário Andy Rihs já está um pouco farto de injetar muito do seu dinheiro. Ou seja, a equipa da BMC já está em risco, mesmo depois de passar de 28 para 24 ciclistas e ter acabado com a sua equipa de jovens.

Outro quadro negro foi a dificuldade sentida por  Jonathan Vaughters em conseguir um novo parceiro, para que a sua equipa continuasse no Wordl Tour. O americano pensou em tudo e só à ultima hora, depois de ter perdido alguns ciclistas encontrou um novo sponsor, que juntou à Cannondale e Drapac e conseguiu formar uma equipa low coast.

Mas de exemplos patrocinadores sem rosto temos o caso da Katusha, que andou anos sozinha e que ninguém sabe o que é. Vende roupa caríssima, talvez para ninguém comprar, ou a Astana que vive para publicitar um país, isto para não falar dos Lottos da Holanda e da Bélgica ( Lotto -Jumbo e  Lotto-Soudal), ou mesmo da Française des Jeux, todas elas vivendo com dinheiros públicos.

Bem vistas as coisas, a Sky foi o ultimo grande patrocinador a entrar no ciclismo, depois da entrada da Movistar, um pouco a contragosto, no início e que só Mariano Rajoy, o politica centrista, um inveterado adepto do ciclismo, conseguiu demover a entrar no círcuito velocipédico.

É certo que o mercado das duas rodas está forte, muito forte mesmo, o que tem contribuído para a manutenção do circo, com as grandes marcas americanas a fazer a diferença: Specialized, Scott, Cannondale, BMC e a europeia Canyon a darem um grande apoio.