A NOSSA FEDERAÇÃO, COM CAMPEÃO DE… ESPANHA!?

Quase a completar 118 anos, a União Velocipédica Portuguesa/Federação Portuguesa de Ciclismo tem, como será de esperar uma longa e frutuosa história de vida, tão longa e frutuosa que é impossível, num pequeno texto, descrever toda a sua existência.

A 14 de Dezembro de 1899, foi definitivamente fundada a União Velocipédica Portuguesa, dando resposta aos desejos de algumas elites, tradicionalmente associadas à nobreza, como era perfeitamente normal no mundo desportivo de então, e acompanhando as mais recentes tendências europeias.

A denominação e modelo organizativo era o comum na altura. A adopção do modelo federativo, dando origem à Federação Portuguesa de Ciclismo, surge bem mais tarde, em 1944, já com uma estrutura organizativa semelhante à actual. Manteve-se sempre, e bem, a denominação de UVP/FPC. Curiosamente, ou não, são estranhas à maioria dos praticantes as primeiras três letras da sigla.
Não se fará aqui a descrição do crescimento da Federação, das suas estruturas físicas e humanas, nem será preciso descrever os títulos, pelo menos os mais recentes, nem o crescente medalheiro nacional. São tudo dados relativamente acessíveis para quem quiser saber alguma coisa sobre o nosso ciclismo. Claro que, nalgumas destas circunstâncias assinaladas, também entrarão observações pessoais, sobre a forma como se fizeram ou decidiram algumas situações. Mas essas são contas de outro rosário.

De todos os factos que rodeiam o ciclismo português, naturalmente indissociáveis da UVP/FPC, por piada, apenas quero destacar o… quase! É de assinalar que a nossa Federação quase tinha um campeão de Espanha, e quase tinha um dos primeiros recordistas do mundo. Para além de ser recordista mundial dos 500 metros, José Bento Pessoa, o primeiro grande ciclista português, também foi campeão espanhol de fundo, por sinal, o primeiro campeão espanhol. Mais uma “facada” portuguesa espetada no coração dos espanhóis. Certo é que esse títulos foram alcançados em 1897, um pouco antes da fundação da UVP.

Fosse o Conde de Caria, um dos fundadores, um pouco mais expedito, para além de conquistar-mos um título mundial (Rui Costa) em luta directa com dois espanhóis, acompanhado daquele célebre e agradável (para nós) desânimo do comentador espanhol, e também teríamos um português, campeão nacional de Espanha, nos braços da UVP/FPC.
Luís Gonçalves