GIRO A FERRO E FOGO

Pode-se dizer que o Giro é sempre a ferro e fogo. Uma competição tradicionalmente durissíma que, mais uma vez, para além dos rigores climatéricos, nos brinda com algum exagero para os tempos que correm. Na edição de 2018 são seis as etapas com mais de duzentos quilómetros, algumas, de forma consecutiva, colocadas na última semana de prova e acompanhadas de várias contagens de montanha, nomeadamente, o Cima Coppi.

São etapas que, mesmo em termos de espectáculo televisivo, já têm deixado algo a desejar. Seria bem mais desejável que a UCI impusesse etapas mais curtas, que não deixariam de ser duras e disputadas, do que querer reduzir o número de semanas das grandes voltas.

Mas, para além do normal para o Giro, a organização quis inovar ainda mais para 2018. A busca da Terra Santa, e dos seus milhões, tem tudo para ser um golpe publicitário notável. Apesar do potencial glamour da ideia, também era óbvio que os riscos de percorrer uma zona, desde sempre, altamente instável politicamente eram e são enormes.

A tomada de posição da administração Trump que, apesar de ser diabolizada, apenas se limitou a executar uma media aprovado pelo Congresso americano há mais de vinte anos, apenas serve de pequeno rastilho.

Com este pequeno rastilho, a pouco tempo do início da prova, a RCS Sports parece estar com um dilema, embora a prontidão com que aparecem planos alternativos a Israel também pareça sugerir o contrário.

Em verdade se diga que, historicamente, o ciclismo tem lidado bem com zonas de conflito. Algumas provas de ciclismo foram dos únicos eventos desportivos não suspensos, por exemplo, durante a II guerra mundial. Se pensarmos que o Tour de Flandres, no coração do conflito, não parou, só podemos ficar admirados.

Mas a geografia de interesses em Israel é bem diferente e, apesar de tudo, num mundo também diferente. A RCS Sports conhecia e conhece os riscos. Não parece que as bem organizadas entidades Israelitas estejam dispostas a abrir mão deste Giro. Seria quase, para eles, uma espécie de rendição. Restará também saber a posição das equipas e dos principais ciclistas, sabendo também que o dinheiro contorna muitos problemas.

Um Giro duro, como sempre, desta vez verdadeiramente a ferro e fogo. Partindo mesmo de Jerusalém, na conjuntura actual, que até pode mudar até Maio, para melhor ou para pior, deixará o seu vencedor verdadeiramente na história da modalidade. Imagine-se que Froome ganha este Giro e o Tour…
Luís Gonçalves

1 comentário a “GIRO A FERRO E FOGO”

  1. Ola boa tarde. Parabéns pelo trabalho que me agrada muito
    Pode por favor dizer se a alguma informação sobre andre cardoso .muito obrigado

    Atenciosamente ricardo

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