FROOME, O MEDIÁTICO!

Num vídeo de poucos segundos, Froome, mudou a história do Giro 2018. Como poucos, ou nenhum neste momento, só o inglês tem esta capacidade de verdadeiramente agitar as águas do mediatismo.
Podemos não gostar, mas é com estes eventos e com estas figuras que se constrói uma modalidade com bem mais de cem anos. O ciclismo sempre viveu de heróis. Aliás, qualquer actividade desportiva sobrevive disso.

Se olharmos para a maioria das listas de atletas, ou equipas, vencedores de grandes competições desportivas mundiais assistimos a “bolsas” de domínio. No Tour, como referência, podemos ver as épocas de Anquetil, Merckx, Hinault, Indurain, Armstrong e agora Froome, intercaladas por aquilo a que poderemos chamar, quase, períodos de transição.

Obviamente que destas épocas de domínio seriamos injustos se também não recordássemos os anti-heróis, como foram, nomeadamente, Poulidor ou Ullrich, cada uma a seu tempo, ou outras grandes figuras que, apesar de não ganharem tanto, deram contributos decisivos para os espectáculo que é o desporto, como, por exemplo, Contador ou Pantani, referindo exemplos mais recentes e evidentes. Neste contexto, mas com outro quadro, nunca será de desprezar Cipollini, Sagan ou Virenque. A injustiça, por falta de espaço, será referir apenas estes.

Com isto não pretendemos ser desleal com os vencedores do Tour, sempre uma elite, mas pensamos que todos concordaremos que as vitórias de Pereiro, Sastre ou até Evans, nomeando apenas alguns nomes recentes, não alcançam o estatuto das vitórias de Froome, ou até de Pantani ou Ullrich, que têm o mesmo número de sucessos no Tour: um, a que somaram outra grande volta.

Se transpusermos isto para a nossa realidade, a portuguesa, assistimos a um fenómeno idêntico. Até se poderá dizer que, nos últimos anos, nos tem faltado um consistente vencedor português da nossa Volta. Temos tido alguns exemplos de fama como o do Cândido Barbosa ou o Rui Sousa, que funcionam quase como anti-heróis, dos nossos amigos galegos, mas não tem existido na nossa “mitologia” recente um grande vencedor português. E faz falta.
Era bom que numa tão curta declaração um nosso ciclista chamasse assim tanta atenção (à nossa escala!) para a Volta a Portugal e para a nossa modalidade.
Luís Gonçalves

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