FROOME, O TOUR E O GIRO

Está claro que Christopher Froome se quer juntar ao restrito lote de ciclistas que ganharam as três grandes voltas. Froome já está no panteão dos maiores de todos os tempos, mas juntando o Giro, sobe mais uns degraus dentro desse panteão.

Também se poderá pensar que, apesar dessa vontade que o inglês tem, se poderá concentrar num outro objectivo não menos importante: o recorde de vitórias (oficiais) no Tour.

Neste contexto deve-se dizer que é cada vez mais difícil juntar duas grandes voltas no mesmo ano, muito menos juntar, como vencedor, três grandes voltas num período de doze meses.

A organização do Giro, provavelmente a mais dura (na estrada) das três grandes, disputada em estradas sinuosas, com subidas longas e inclinadas e numa altura em que as condições meteorológicas dão poucas tréguas, sabe isso. Para o ano, acrescem as longas transferências de toda a caravana desde Israel. O Giro deixa mazelas que não são fáceis de recuperar.

Também sabendo disso, os israelitas encheram de euros os bolsos da RCS Sport, entidade organizadora do Giro. E os organizadores, estão dispostos a abrir os cordões à bolsa para ter Froome já neste Giro, quase intercontinental. Por mais dinheiro que fosse investido também é evidente que a presença de Froome seria imensamente rentável para o Giro e para Israel, país do qual não podemos afastar enormes questões políticas. A visibilidade de Froome seria útil a todos.

Nestas circunstâncias, de muito dinheiro por um lado e de questões políticas por outro, e de, no plano desportivo, não ser menos apetecível, por enquanto, bater recordes no Tour, Froome e a Sky estarão num dilema.

Dependerá muito da capacidade de Froome que, avaliando as suas condições físicas e o tempo útil que lhe resta na modalidade, terá que ponderar seriamente os seus objectivos mais concretizáveis. O inglês não parece ser dos que desperdiça oportunidades ou atira pólvora seca. Pode não o conseguir, mas quando estabelece uma meta é para chegar em primeiro.

Resta saber se é o momento certo para fazer a dobradinha Giro/Tour. Desportivamente, antevendo capacidades físicas e mentais por mais uns tempos, eu preferia garantir primeiro a supremacia no Tour, para depois gerir recursos para uma possível vitória no Giro.

Nunca é de desprezar a vitória em todas as grandes voltas mas, quer se goste ou não do exemplo, Armstrong, nunca precisou disso para ser o maior! O adepto comum e ocasional consegue nomear com alguma facilidade os recordistas do Tour, mas é incapaz de nomear, com fluidez, todos os únicos seis vencedores das três grandes.
Obviamente que tudo isto cai por terra se Froome vencer o Giro e o Tour de 2018!
Luís Gonçalves

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