TEMPO DE GALAS

Enquanto o nosso ciclismo, na competição, é preenchido pelas provas de ciclocross, por enquanto lideradas, nos escalões principais, por Ana Vigário e Vitor Santos, para os restantes o ciclismo português vai-se animando com galas.

Naturalmente se fala de uma animação visível, porque nos bastidores invisíveis da modalidade, como sempre nesta fase da época, uns anos mais outros menos, há agitação. Quanto a isso, a seu tempo, com definição e sem especulações, certamente se falará.
As galas começaram por ser jantares, normalmente organizados pelas associações (algumas) onde se aproveitava para distribuir os prémios aos primeiros classificados de cada vertente e escalão da modalidade, aqui ou ali, sempre pontuadas por uma ou outra homenagem a alguém ou alguma entidade.

São fáceis de calcular as contas de um jantar para tanta gente. Por isso mesmo, gradualmente, passámos a um evento em auditório, seguido de um pequeno lanche numa outra sala, para actualmente, e bem, nos concentrarmos apenas num grande evento de auditório, nalguns casos preenchido, para além de entrega de prémios e homenagens, por momentos lúdicos.

Para além das associações de ciclismo que inauguraram este formato há já uns anos, foram depois aparecendo outros eventos associados à modalidade, organizados por outras entidades, tendencialmente ligadas à informação.

Mais do que os eventos em si, é importante juntar nestas galas uma boa parte da “família” do ciclismo, de várias idades, em clima de festa informal. Isto apesar de há uns tempos alguém querer ter dado formalidade a mais a uma modalidade essencialmente popular, estabelecendo um “dress code”, mais clássico, para a sua gala.
Outros momentos, ultrapassados, permanecendo a tal informalidade, apenas interrompida pelos tradicionais, boçais e inevitáveis discursos, dos principais agentes da modalidade.
Direi ainda que, mais do que juntar a tal família, mais importante é a dignidade que é conferida ao prémio, entregue neste ambiente, como todos sabemos, prémios alcançados ao longo de toda uma longa e exaustiva época.

Luís Gonçalves