ainda as equipas continentais

Voltando ao tema das equipas continentais, e ao facto destas se dividirem em dois estatutos distintos, o que pensamos só existir caso semelhante no nosso país, pelo menos nos termos e condições em que foram estabelecidas as respetivas cotas, a análise do caso pende, naturalmente para os dois lados, consoante quisermos avaliar a situação.

Haverá sempre, criticas positivas e negativas, o problema que se coloca, quer seja no ciclismo interno, quer no de nível internacional, é que as sucessivas medidas alternativas que são tomadas, normalmente não geram situações positivas, sinal evidente de que são tomadas, na sua maioria, de forma subjetiva e sem grandes estudos de suporte a sustentarem as respetivas mudanças.

No nosso caso , e para quem está na ” estranja” e reparar, no início de temporada, para a lista de equipas de cada país, há-de concerteza ter do nosso ciclismo uma ideia de um ciclismo próspero, em ciclistas e equipas, nos escalões de formação, em especial no escalão de sub-23, que alimenta o setor dito profissional. Na verdade, um país que se dá ao luxo de ter nove equipas continentais, deverá ter pelo menos, o dobro destas, em sub-23, para que se consiga obter uma pirâmide equilibrada.

Mas a medida será positiva para o desenvolvimento do nosso ciclismo ? Depende do lado em que nos queremos situar.

Para um organizador, como o da Volta a Portugal, por exemplo, tem logo resolvido 50% do seu efetivo, o que representa uma boa e significativa ajuda, com a agravante positiva de serem equipas nacionais, algumas das quais representativas de regiões, em que o ciclismo tem pouca implantação e tradição.

Tem também a vantagem de proporcionar corridas mais equilibradas, sem as grandes diferenças que se notam entre as equipas mais bem estruturadas, e aquelas que competem no escalão sub-23 sem quaisquer objetivos.

Estas são para nós as vantagens daqui resultantes. Poder-se-á dizer que haverá uma evolução lógica pelo facto dos ciclistas mais jovens poderem competir a um patamar mais elevado, o que proporciona óptimas condições de progressão de uma atleta, mas isso já o faziam no passado, praticamente ao longo de todo o ano, com exceção da participação no Algarve e Volta a Portugal. Contudo, é bom que se ponha no prato da balança, o seu impedimento para participarem em provas no país vizinho de grande interesse.

Ficou-se sem saber, se os ciclistas de equipas Continentais poderão participar na Volta a Portugal do Futuro, reservada pelo seu estatuto de 2.13, apenas a equipas de clube, o que a acontecer nos parece injusto, para as restantes formações de clube.

Algumas incongruências desta nova medida estão nas cotas estabelecidas pela FPC e respetiva legislação: porquê três equipas continentais amadoras e as restantes profissionais ? Nunca ninguém conseguiu explicar com factos lógicos o porquê destes números.

A existir esta nova legislação não deveria  estabelecer cotas, deixando ao critério de cada equipa optar por uma ou outra via. Aliás, pensando bem, esta dicotomia dentro do mesmo país não parece ser, do ponto de vista ético o melhor. A UCI preconiza que cada FPC deve estabelecer o seu tipo de equipa continental, e a sua legislação e não legislações diferentes para equipas que se pretendem iguais, ao desfrutarem do mesmo calendário e igualdade de oportunidades, mas com legislações internas diferentes.

Vejamos um caso concreto, uma equipa continental  profissional é obrigada a ter um seguro de acidentes de trabalho, o que faz todo o sentido . Que tipo de seguro terá um ciclista continental amador ?

Se tiver um problema que possa redundar numa deficiência física,  como resolve o seu problema ?

Por outro lado, teria alguma lógica que a licença de continental amadora fosse atribuída pelo período de um ano, que serviria como experimental, para uma posterior passagem a profissional ou retorno a equipa de clube, mas aqui também o legislador omitiu ou não esclareceu se é uma licença definitiva ou temporária.  Se a legislação fosse neste sentido ( temporária), seria até construtiva e permitia uma maior cimentação dos respetivos projetos.

Ficarão mais pontos para ser discutidos, mas estes poderão já dar uma ideia do que pode ser positivo ou negativo, com a certeza de que quem anda à chuva molha-se, ou seja quem coloca os problemas tem sempre a chuva à porta.

JC

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