A SOBREVIVÊNCIA DOS SUB-23

Se no que diz respeito ao pelotão profissional português a coisa vai-se compondo, até com alguns reforços mais sonantes, e com uma perspectiva de calendário, embora muito igual ao do ano anterior, provavelmente mais distribuído, com realce para a recolocação da Volta ao Alentejo, no que aos Sub-23 diz respeito, o panorama parece sombrio.

Muitos ciclistas no escalão de Juniores, onde os pelotões têm sido extensos, para cada vez menos equipas verdadeiramente de Sub-23. A tendência não é de agora, mas agudizou-se para a próxima época. Na realidade, poderemos contar com três ou quatro equipas deste escalão.

Em boa verdade os regulamentos, e algumas invenções, não têm ajudado. Mas porventura mais definitivo é o calendário nacional exclusivamente Sub-23 ser tão pobre, quase se resumindo à Volta a Portugal do Futuro e aos campeonatos nacionais.

Neste contexto, mesmo que uma equipa profissional quisesse ter Sub-23 não compensaria os ciclistas deste escalão, porque não poderiam correr conjuntamente com a equipa principal e ficariam reduzidos a um curtíssimo calendário competitivo, uma vez que, nem as provas da Taça de Portugal são separadas.

Se para a próxima época os efeitos ainda serão relativamente reduzidos, nos anos que se avizinham, continuando este sistema decrescente, será cada vez mais difícil formar ciclistas em idade Sub-23. Naturalmente que alguns, evidenciando-se pelos resultados, e apenas isso muitas vezes, terão a sua oportunidade, mas pelo caminho, à falta de equipas e de provas, inevitavelmente se perderão bons ciclistas.

A solução não é fácil. Não se pode obrigar ninguém a formar equipas Sub-23. Passará muito pelos Sub-23-J, que competem a maioria das vezes com os Juniores e, por algumas provas que juntem os dois escalões. Não deixa contudo de ser desanimador ver alguns abandonos forçados no segundo ano de Sub-23.

Com tão poucos incentivos na formação destas equipas, um calendário mais abrangente, como já existiu, só para Sub-23 (e que nos deu tão bons resultados…) e por um lado não inventar regulamentos com equipas que nem sabemos bem o que são concorrendo inevitavelmente em desigualdade de armas e, por outro, provavelmente, tentar adaptar alguns regulamentos internacionais, como fazemos tantas vezes quando convém, à nossa realidade, talvez fosse mais sustentável da modalidade em Portugal.
Por enquanto, é bom que se pense que não é uma questão de conveniência, mas pode ser de sobrevivência. Sem um bom pelotão Sub-23, não há ciclistas profissionais.
Luís Gonçalves