recordar dois homens bons

Enquanto o Luís Gonçalves prepara uma peça relativa ao ciclismo em Santa Maria da Feira e o regresso do Feirense ao ciclismo nacional, vem-me à memória um nome muito importante do ciclismo feirense que hoje, o Franciso Jesus, para os mais intímos e chegados o ” Chiquinho”, recordou no facebook com uma foto, que publicamos para ilustrar este texto e recordar duas figuras do ciclismo dos anos 80 e 90.

O ” Chiquinho”, não sei de onde lhe veio a alcunha, foi um competente funcionário de uma farmácia na cidade do Porto e um dos mais zelosos massagistas das equipas de ciclismo daquela época, passou entre outras formações, pelo Feirense e pelo Boavista. Conversava tanto, quanto fumava, e distraí-se imenso, acontecendo muitas vezes que massajava uma perna de um ciclista meia hora e a outra cinco minutos. Mas era competente e zeloso. À época,  fazia-se o melhor naqueles tempos, naturalmente bem diferente do que acontece nos dias de hoje. Foram tempos difíceis, com pensões fracas, com carros fracos, com estradas fracas, mas com ciclistas fortes e calendários fortes.

Um tempo que passou e não volta, que deixou para trás alguns dos melhores nomes do ciclismo nacional, gerações e gerações de ciclistas que venciam montanhas com andamentos monstruosos, e pedalavam pela glória de serem os melhores, com pequenos almoços de arroz e bife.

Mas ao lado do Chiquinho ( o mais magro na foto, daí talvez a alcunha), aparece  uma figura incontornável da Vila da Feira, assim chamada na altura dos factos, a cidade que agora é Santa Maria da Feira, o Abel Matos. Pessoa simples de grande valor. Se a memória não me falha era cobrador das águas na Câmara Municipal local e, por via disso, conhecia tudo e todos, e o seu amor pelo ciclismo era enorme.

Vinha o verão e o Abel aparecia de chinelos com as calças ligeiramente  dobradas para não arrastar no chão. Num circuito na Arrifana, ultima etapa da Volta às Terras de Santa Maria, os ciclistas do Feirense tinham ido a um café, e apareceram à partida , já o pelotão tinha  abalado para a primeira volta. Com os braços no ar e no meio da estrada, fêz alto ao pelotão, interrompendo a corrida e, virando-se para os juízes e cronometristas ( ainda não havia o termo comissários) disse : ” Alto que esta não valeu .”.

O amigo Abel já não está entre nós, partiu cedo, vitima de um coração que ele maltratava, amante de boas “tainadas” , mas a ele se deve muito da tradição e carisma que o ciclismo tem em Santa Maria da Feira.

 

2 comentários a “recordar dois homens bons”

  1. Abel Matos, um homem que muito fez pelo ciclismo em Santa Maria da Fera. Curiosamente na nova equipa está um ciclista que é neto do saudoso Abel Matos, Luis Afonso,

  2. Bom dia

    Queria saber se é possivel que neste blog houvesse uma retrospectiva sobre ciclistas do passado estou a lembrar do José Martins que representou a Coelima e qua também participou na volta à França; do Fernando Mendes infelizmente ja desaparecido e grande ” rival” de Joaquim Agostinho, do Alves Barbosa, Jorge Corvo, Herculano de Oliveira etc…
    Obrigado pela atençao!

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