profissionais, amadores, equipas de formação: sim ou não ?

O ano de 2018 marcará uma nova era para o ciclismo nacional ? Pelo menos, tudo se conjuga para que o pelotão continental possa ser mais alargado, com mais equipas, divididas em dois patamares : umas profissionais e outras amadoras, na aceção da palavra.

Ao todo o panorama ficará limitado entre sete profissionais e três como amadoras, limites máximos. Aqui a primeira possível incongruência, porque limitar a estes números a divisão dos dois tipos de equipas. Seria mais coerente, por exemplo, regulamentar que o panorama para 2018 seria limitado a dez equipas, podendo as equipas decidir qual a opção a escolher.

Na verdade, porquê, apenas três com estatuto amador, e não duas , quatro, etc ?

Esta realidade  possibilita existirem pelo menos  nove equipas em 2018, o que dará um pelotão de 63 ciclistas, segundo as novas regulamentações da UCI, máximo de sete ciclistas por equipa, o que já não será uma má imagem para um pelotão  considerado pequeno, mas que poderá ser completado com equipas espanholas ou as equipas de clube nacionais, com melhores estruturas, que não serão muitas, caso Sicasal, Mortágua,  ou Liberty derem o passo para continentais, como está já praticamente  oficializado, pelo menos as duas ultimas.

Uma interrogação que carece de uma informação pormenorizada, é se as equipas com estatuto continental, poderão correr com as equipas de clube sub-23, em provas do escalão 1 ou 2.13, o que a acontecer nos parece algo fora do contexto, pois estas equipas continentais beneficiarão da possibilidade de estarem presentes em dois calendários distintos, prejudicando como é lógico, as verdadeiras equipas de clube. Será que uma equipa continental poderá participar na Volta a Portugal e na Volta a Portugal do futuro ?Ao optarem pela inscrição como continentais, não nos parece coerente poderem correr provas apenas para equipas de clube.

Uma situação que carece de uma definição por parte do responsável por estas alterações.

Para se compreender ou justificar esta alteração para 2018, estará em jogo a existência de equipas ditas de formação a nível continental, como se passa a nível internacional. O que acontece, porém, é que estas equipas de formação internacionais condicionam o seu plantel a equipas de sub-23 e não de sub-25. Na verdade, serão os sub-25 ainda ciclistas de formação ? Para agravar a incongruência da FPC nesta matéria, foi ainda dada a possibilidade destas equipas poderem contratar dois ciclistas elites, com mais idade.

Ora, com a redução das equipas em prova para sete ciclistas, poderá acontecer que uma equipa continental, que deveria ser de formação, não incluir na sua constituição para a Volta a Portugal um ciclista sub-23,o que no mínimo será bizarro. Será que o legislador teve em linha de conta a redução para sete ciclistas por equipa em 2018, ao permitir dois elites nestas equipas, ou seja  30% da sua constituição ?

Portanto, se o objetivo era termos equipas de formação no escalão continental, com esta regulamentação tal desiderato não nos parece assertivo. Mas um problema parece resultar para as equipas com estatuto profissional : onde é que elas se irão apetrechar, se os ciclistas pelo menos até sub-25 poderão ficar nas suas equipas de origem, com um apoio mensal de cerca de 300 euros / mês ?

A regulamentação não contempla, por seu turno, quantos anos uma equipa continental amadora poderá “estagiar”nesta situação, e neste patamar. Poderá ficar para sempre ? Ou pelo contrário estará limitada, dando possibilidade a outras equipas ?

No computo geral, a ideia da FPC  pareceu-nos positiva ao promover as principais equipas de sub-23 a um patamar superior, mas permitir que estas equipas ultrapassem este patamar até sub-25  e incluir dois ciclistas elite, parece-nos ter minado  e contrariado o seu objetivo. Com um patamar até sub-23, parece-nos certo, também , limitar estas equipas a um numero máximo de três, mas até sub-25 é algo exagerado, como exagerado será o apoio previsto cerca de 300 euros mês, exagerado pela negativa, como é óbvio.