ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS E CICLISMO

Em período eleitoral, vários sectores de actividade ficam em suspenso. Mais do que a qualquer outro tipo de eleição, o ciclismo presta especial atenção às eleições autárquicas.

Mais do que gente da modalidade que se envolve na vida política autárquica, ciclistas, dirigentes e membros da Federação, é conhecida a proximidade, e às vezes dependência, do ciclismo em relação às autarquias, inevitavelmente ao autarca que as comanda.

No decurso do período pré-eleitoral, são muitos os projectos e equipas, sobretudo ligados à formação, que ficam receosos com a possibilidade de vir um novo autarca que deixe de apoiar a equipa como até aí tinha sido apoiada, ou mesmo, no extremo, deixar por completo de apoiar essa mesma equipa. Para além da óbvia importância dos patrocinadores, as autarquias revestem um apoio fundamental à grande maioria das equipas.

Neste contexto, não são poucas as estruturas, mesmo profissionais, que vão alternando entre os concelhos que mais os parecem favorecer a determinado tempo.

Em termos organizativos também são tempos de indefinição. Se até ao momento das eleições, os organizadores de provas sabem ter em determinado autarca um amigo com quem contar, tal situação pode alterar-se com uma mudança de poder. Naturalmente que, sobretudo para um organizador que cubra todo o território, estas mudanças de poder podem fechar portas num local, mas abrir portas num novo concelho, até aí arredado da modalidade.

Não é por acaso que às vezes parecem irromper novos concelhos do nada no mapa da modalidade. Pode ser apenas uma questão de oportunidade, mas não raras vezes tem a ver com mudança de poder.

Tanto nas equipas como nas corridas aguardemos para ver o que nos trará o novo mapa autárquico.
Luís Gonçalves