caso andré cardoso: não há nenhuma lista onde se indique e discrimine a insensibilidade criminosa dos controladores

No controlo anti doping, para além das tradicionais amostras A e B, a UCI, e por inerência as agências de controlo, parecem estar a preparar a amostra C.

Talvez uma terceira variante, de desempate, como gostamos de fazer na escola primária, até desempatarmos o jogo a nosso favor. A amostra C, até pode ser, pela letra, a amostra Cardoso. Mas também pode ser a amostra Confusão, ou a amostra falta de Contrato.

Desde o dia do controlo, como já se percebeu feito ao André Cardoso, já se passaram mais de três meses, mais de cem dias, com uma vida em suspenso. Sem poder competir, sem saber se vai competir, sem saber se tem contrato numa altura crucial da época, sem receber, com a vida pública parada, certamente amargurado, sequer, sem saber se é ou não castigado, caso seja necessário.

Não se discute o resultado da contra análise. Chama-se a atenção para a desumanidade em que consiste a situação, num processo que, para o melhor ou para o pior, deve ser célere.

E, se tomarmos em consideração que este caso, apesar de ser o mais evidente, não é o único, não podemos deixar de ficar chocados pela insensibilidade do sistema.

Muitas vezes criticamos os ciclistas que se dopam ou que de qualquer outra forma fazem batota. Não podemos estar mais certos nessa crítica. Quem prevarica deve ser punido.

Há uma lista de ciclistas efectivamente condenados e suspensos de actividade. Também existe uma lista de ciclistas suspensos provisoriamente, onde ainda está o André Cardoso.

Mas não há nenhuma lista onde se indique e discrimine a insensibilidade criminosa dos controladores. Seria tão extensa como as outras.
Luís Gonçalves