” Fala-se muito da luta contra a dopagem, mas não se fala do constante aumento das dificuldades em todas as provas “

O Mundial de Bergen, segundo as críticas será um sucesso, até ao momento, para os menos expeditos mas este sucesso estará diretamente relacionado com o impacto desportivo ?

Muito público em Bergen, num C/RI que privilegiou o espetáculo, em favor de uma uma prova equilibrada e tecnicamente indicada para o seu fim. Ao cabo e ao resto, o C/RI  elites, acabou por não ser uma cronoescalada, acabou por não ser um C/RI tipico para os verdadeiros especialistas, e deu-se mesmo ao luxo de permitir a criação de uma box para mudança de bicicletas, numa prova onde tecnicamente tal circunstancia nunca deveria ser permitida. Por outro lado, a sua curta quilometragem, desclassificou um pouco a sua importância, privilegiando um corredor tipicamente com o perfil de um estradista tipo voltista.

O problema do ciclismo começa a ser  preocupante, com os organizadores, a procurarem privilegiar o espetáculo, em detrimento do que seria razoável exigir, escamoteando perfis competitivos razoáveis. As provas por etapas, tipo Giro e Vuelta  têm como prioridade privilegiarem o espetáculo televisivo. Apostam em etapas durissimas, com subidas de duvidoso interesse desportivo, transformando as provas de ciclismo em verdadeiros campos de batalha. No C/RI de ontem, o interesse foi o mesmo, com o público a aderir e a televisão a lucrar em audiências. Na verdade, tivesse a prova o perfil que um verdadeiro C/RI deveria ter, será que teria a mesmo moldura humana ? Esta a grande questão, mas por este caminho o ciclismo vai por caminhos tortuosos. Fala-se muito da luta contra a dopagem, mas não se fala do constante aumento das dificuldades em todas as provas, do pouco tempo de recuperação de uma etapa para outra e dos tempos que se percorrem para subir montanhas cada vez mais rápidos. Também, neste aspeto, o ciclismo segue por vias estreitas e sem saída.

JC