MENOS GRAÇA…

A etapa da Sra. da Graça é das mais míticas do ciclismo português. Qualquer cidadão nacional minimamente informado associa esta subida ao ciclismo, e qualquer ciclista amador sonha subir a Sra. da Graça, amealhando popularidade com a serra da Estrela.

O ciclismo tem um público fiel. Onde há uma etapa destas, sobretudo na Volta, estará sempre muita gente. Hoje, em Mondim de Basto, a tradicional receção popular ao pelotão e durante a subida uma boa moldura humana.
Apesar disso, não a de outros anos. Retirar esta etapa do fim de semana, sobretudo de Domingo, não parece ser uma boa jogada de marketing da modalidade. Bem se sabe que será o calendário possível na construção da prova, mas afastou bastante gente do monte Farinha. Bem antes da Volta, já alguns habituais se queixavam disso e da impossibilidade deste ano não poderem ir a uma etapa onde costumavam marcar presença, por ser a um dia da semana. As férias acabam por ser curtas para os trabalhadores.
Na estrada, os ciclistas fazem subidas metódicas. Não fosse o Boavista, como disse o Filipe Cardoso, ou o João Matias (LA-Aluminios) na luta pela montanha e a etapa daria para adormecer. O W52-FCPorto tem, de facto, a melhor equipa. Já se sabia. Tem, por exemplo, para além de ciclistas experientes, três vencedores da Volta a Portugal, em oito. Tão boa, que já não se sabe quem manda. Claríssimo na entrevista de Raul Alárcon. Estão todos bem!
Marque marcou Veloso, na expetativa de outros dias. Estão na luta a poucos segundos do primeiro lugar. Devo confessar que, a dois quilómetros e pelas suas características, pensei que Nocentini ganhava a etapa.
Por ora, com tal domínio azul e branco, sem grandes contrariedades até agora, e sem a Sra da Graça ao Domingo, pode-se dizer que a Volta tem menos graça.
Luís Gonçalves