a Volta a Portugal, para além de ser a melhor e mais cara organização do mundo velocipédico nacional, é o maior evento desportivo do nosso país, futebol à parte

A nota dominante da cerimónia de apresentação da Volta a Portugal, que decorreu na Praça do Império, em Belém,decorreu nos moldes de anos anteriores, repetitiva e sem inovações.

O público alheou-se um pouco desta cerimónia, a animação proporcionada pelos parceiros publicitários também ajudaram um pouco, concentrando o publico junto dos seus stands, na espera da oferta de uma camisola ou boné.

Amanhã, o C/RI inicial é totalmente a rolar, em linha reta, com a vento o poder ter alguma interferência, se se fizer sentir, e soprando lateralmente.  Para o triunfo final, perfilam-se alguns nomes importantes, mas talvez o que pode reunir maiores vaticínios é o de Gustavo Veloso.

Numa prova caraterizada por um pelotão bastante poliglota, que vai desde canadianos, a austríacos, alemães, franceses, espanhóis , italianos e  búlgaros, nota-se a ausência de algumas equipas com alguma identificação ao nosso ciclismo, como o caso dos russos da Lokosphins, por exemplo.

Quanto ao valor das equipas em prova, só depois das primeiras etapas se pode avaliar do seu valor e consistência, contudo não será fácil levar de vencida as equipas nacionais que, para além de serem mais profissionalizadas e estruturadas,  que as formações estrangeiras em prova, preparam afincadamente ,aquela que consideram a prova rainha da temporada, e a única que justifica a sua existência.

Seja como for, para as equipas nacionais a Volta a Portugal, para além de ser a razão da sua  existência, representa também a prova mais estruturada e a que mais respeita o caderno de encargos financeiros para a sua participação na prova. Cada equipa portuguesa embolsa da organização cerca de 12 mil euros, com os quais paga hóteis e combustíveis. Verdade seja dita que é um importante apoio, mas insuficiente, pois no final  as despesas são bem superiores à receita.

Mas a Volta tem a tendência e obrigação de  acompanhar as previsões regulamentares impostas pela UCI. Dos dez ciclistas por equipa, há cerca de uma década, passou-se para nove elementos por equipa, e o ano passado foram apenas admitidos oito ciclistas por cada formação . De avanço em avanço, ou melhor de recuo em recuo, para 2018 as equipas alinharão na Volta apenas com sete ciclistas.

Nesta guerra de organizações, a Volta suplanta todas as provas. O seu valor em termos organizativos  aproxima-se dos 4 milhões de euros, verba muito superior a todas as provas juntas do calendário nacional.

A Volta contribui ainda, como o disse Joaquim Gomes com um importante apoio para a a FPC, representando cerca de 15% do seu orçamento. Para a concessão da Volta, por novo período de oito anos, a Podium obriga-se ao pagamento anual de 450 mil euros, mais a obrigatoriedade de organização da Volta ao Alentejo, ou outra equivalente, os Nacionais e a Volta a Portugal do Futuro, tudo competições deficitárias.

Sem margem para duvidas, a Volta a Portugal, para além de ser a melhor e mais cara organização do mundo velocipédico nacional, é o maior evento desportivo do nosso país, futebol à parte.

 

 

1 comentário a “a Volta a Portugal, para além de ser a melhor e mais cara organização do mundo velocipédico nacional, é o maior evento desportivo do nosso país, futebol à parte”

  1. Mini volta diria eu. Não tem UM ciclista entre os melhores 50 classificados no ranking da UCI. Mesmo sem o apoio da RTP a volta ao Algarve é bem superior. O resto são tretas!

Os comentários estão fechados.