A VOLTA DO BENFICA

Sabemos todos que o Benfica não tem equipa de ciclismo. Deveríamos por isso, nos tempos que correm, dar mérito a quem o tem porque está presente na modalidade, nalguns casos e falando de grandes clubes, de forma contínua há mais de trinta anos, como é exemplo o Boavista. Ninguém dúvida que o tal reconhecimento tem que ser feito a quem está.

Mas também ninguém pode duvidar que o Benfica faz parte da história da Volta a Portugal, começando aqui a grande rivalidade entre os dois maiores clubes lisboetas, nos duelos protagonizados por Alfredo Trindade (Sporting) e José Maria Nicolau (Benfica).
Entre os chamados três grandes não é o clube com mais vitórias, quer individuais, quer coletivas. Esse sucesso cabe ao FC Porto. Mas o Benfica fez algo que nenhum dos outros fez. Ao longo da rica história da Volta, começando nos jornais Os Sports e Diário de Notícias, pela Federação, Pad, Podium e pelo Jornal de Notícias, entre os vários organizadores, aparece o Benfica.

Ora, em 1947, a Volta a Portugal foi organizada pelo clube da capital. Ao longo de dezassete etapas, algumas bem penosas, em distâncias bem superiores a 200 km, deverá dizer-se que foi a Volta do Benfica. Para além de organizador, individualmente, venceu José Martins, do Benfica. O segundo classificado foi João Rebelo, do Benfica. Para não fugir à regra o pódio completou-se com Império dos Santos, também do Benfica. A classificação por equipas foi… para o Benfica.

O desmancha prazeres só terá sido Fernando Moreira (FC Porto) vencedor do prémio da montanha, única classificação secundária então existente, e arrebatador de cinco etapas, recorde dessa edição.
Luís Gonçalves