os ” estrangeiros ” na volta – análise das equipas internacionais

A Volta a Portugal em Bicicleta não se faz só com as equipas nacionais. As equipas estrangeiras, onde este ano só se apresenta uma equipa Pro Continental, trazem bons ciclistas para as estradas nacionais e que nada ficam a dever a equipas de edições anteriores.

Se ontem apresentamos as equipas portuguesas, hoje é a vez de os debruçarmos sobre o pelotão estrangeiro.

James Gullen é um dos nomes fortes da Condor.
James Gullen é um dos nomes fortes da Condor.

Começando com a equipa inglesa da JLT – Condor que traz à Volta um conjunto de ciclistas que lutará por etapas ao sprint e que já esteve presente no GP Beiras e Serra da Estrela. O inglês Ian Bibby que está a fazer uma temporada exemplar poderá lutar também por alguma vitória num terreno algo acidentado, visto que passa bem nesse terreno e tem uma boa ponta final em grupos reduzidos. O australiano Brenton Jones é o sprinter de serviço da equipa, ele que já conta com duas vitórias ao sprint na Coreia e em Taiwan, tanto ele como o neozelandês Alex Frame são candidatos à vitória no prólogo inicial. James Gullen, 3º no campeonato britânico de contrarrelógio e o experiente inglês Russell Downing, que conta com uma passagem pela Sky, entre outras equipas, estarão também à partida.

Este ano a única equipa Pro Continental é oriunda de Israel, mais concretamente a Israel Cycling Academy. O espanhol José Manuel Díaz Gallego será um nome a observar na Volta, ele que é um trepador, e que poderá ser um candidato à camisola da juventude. O australiano Jason Lowndes tentará mostrar serviço ao sprint, a sua especialidade. O campeão de estrada letão, Krists Neilands, que este ano também já ganhou a última etapa da Volta ao Azerbaijão surpreendendo o pelotão nos últimos quilómetros será outro nome a ter em conta na equipa israelita. O australiano Zakkari Dempster que por mais que uma vez já correu nas nossas estradas também estará à partida.

uni

Seguimos com uma equipa búlgara ,UNIEUROTREVIGIANI – HEMUS 1896 onde está inserido o português João Almeida, o dominador da última Volta a Portugal de Juniores, onde venceu todas as etapas e a classificação geral. Será interessante seguir a par e passo esta equipa, visto que conta com João Almeida, ele que já conta com três vitórias este ano, e ainda uma mão cheia de jovens que poderão surpreender. Entre eles o marroquino Zahiri Abderrahim ou o argentino Nicolas Tivani que tentará intrometer-se ao sprint. Em jeito de curiosidade, o diretor desportivo desta equipa, o italiano Cristiano Fumagalli, é um ex-ciclista que em 2008 correu nas nossas estradas durante o já extinto GP CTT Correios de Portugal.

A nossa viagem pelas equipas leva-nos agora ao encontro de uma equipa canadiana, a H&R Block Pro Cycling. Uma equipa com pouca expressão mundial e que conta com um elenco algo modesto. O australiano Ryan Macanally tentará mostrar-se em alguma etapa que acabe ao sprint; o irlandês Philip Lavery, que já estagiou na Cofidis em 2013, tentará o mesmo. Provavelmente a equipa tentará estar várias vezes na fuga do dia sendo esse o objetivo para a Volta por parte da equipa canadiana.

metec

Seguimos ao encontro de uma equipa holandesa, a Metec – TKH Continental Cyclingteam . Esta equipa tem sido uma presença assídua na Volta ao Alentejo e todos os anos que por lá passa tem conseguido algumas vitórias. Johim Ariesen desde 2015 já conta com 4 vitórias na prova alentejana, inclusive vencendo uma etapa na edição de 2017 da prova, ele que deverá ser a principal arma ao sprint da equipa holandesa nesta 79ª edição da Volta. Jarno Gmelich Meijling é outro ciclista da equipa holandesa que já ganhou uma etapa na Volta ao Alentejo na edição do ano passado, mais concretamente. O holandês Sjoerd Kouwenhoven já conta com uma participação na Volta a Portugal no ano de 2013 onde acabou em 49º. Jasper de Laat também conta com resultados interessante, tendo inclusive ficado em 3º na geral da Volta ao Alentejo este ano. Veremos se esta equipa holandesa consegue replicar os resultados obtidos na prova alentejana, se conseguir, será interessante acompanhar com atenção as suas exibições.

gm

A equipa italiana da GM Europa Ovini que conta nas suas fileiras com Marco Tizza, que já correu na Volta em 2015, tendo conseguido um top-10 na última etapa dessa edição tentarão a sua sorte nas etapas acidentadas ou até mesmo surpreender ao sprint. Antonino Casimiro Parrinello e Davide Pacchiardo são também dois nomes a ter em conta, o primeiro já com uma passagem pela Androni. Nesta equipa o seu diretor desportivo, o italiano Alessandro Donati, é um ex-ciclista que fez carreira na saudosa Acqua & Sapone e chegou a correr por duas vezes o Giro (2009 e 2010). Outra curiosidade é o facto de a equipa trazer à nossa volta os jovens gémeos Leonardo e Francesco Canepa.

A nossa próxima paragem é a equipa austríaca, Team Vorarlberg, que é dirigida pelo pai de Michael Albasini, Marcello Albasini. A equipa austríaca que conta com Patrick Schelling que já correu em 2013 na Volta e se quedou na 30ª posição, conta também com o veterano holandês Reinier Honig que também já correu no nosso país, no GP Torres Vedras – Trofeu Joaquim Agostinho de 2008 e ainda traz o suíço Fabian Lienhard que tentará brilhar ao sprint.

eus

Chegamos, teoricamente, à única equipa espanhola que este ano estará à partida da Volta, a Euskadi Basque Country Murias. Estamos habituados a ter a presença da Caja Rural, porém, este ano só a equipa do ex-ciclista Jon Odriozola representará Espanha no nosso país. A equipa que já o ano passado participou na Volta, tem como cabeça de cartaz Garikoitz Bravo que em 2014 já correu na Efapel e que já o ano passado tinha terminado em 27º na Volta a Portugal em Bicicleta chefiará a equipa vasca e será interessante ver como se compara com o poderio das equipas portuguesas, visto que Garikoitz Bravo poderá entrar no lote de favoritos à vitória da 79ª edição da Volta a Portugal. Será espaldado por Mikel Bizkarra que também já tem alguma experiência nas nossas estradas, tendo inclusivamente terminado em 32º na Volta de 2012 tendo sido 11º na etapa da Torre dessa mesma edição. Julen Irizar será o sprinter de serviço da equipa e tentará fazer algum resultado decente numa chegada em linha. Finalizando, quase todos, se não mesmo todos, os ciclistas desta equipa já conhecem as estradas portuguesas o que poderá ser útil a Garikoitz Bravo.

De seguida temos a equipa alemã Team Dauner D&DQ – Akkon que é mais uma equipa desconhecida no panorama internacional tal como a equipa canadiana. O mais que poderão fazer nesta Volta a Portugal em Bicicleta será integrar várias fugas do dia, visto que os ciclistas que estão pré-inscritos não têm resultados de relevo, mas mesmo assim Lorenz Fiege poderá apresentar-se como o melhor corredor deste conjunto alemão.

Quando mais acima se dizia que a Euskadi Basque Country Murias era teoricamente a única equipa espanhola, deve-se ao facto da Kuwait – Cartucho.es ser tecnicamente uma equipa do Kuwait e não de Espanha, porém, a equipa tem uma base espanhola e pode considerar-se mais espanhola que kuwaitiana. O seu líder é o italiano Davide Rebellin, um dos símbolos do ciclismo mundial, que com 46 anos vem tentar levar algo para casa e agraciar-nos com a sua presença na nossa Volta. O italiano já há muito não está no seu máximo poder, porém, é sempre bom ter um ciclista do seu calibre e com o seu palmarés a correr em terras lusas. O alemão Stefan Schumacher, outro ciclista sobejamente conhecido, faz novamente mais uma aparição na Volta a Portugal em Bicicleta, será a sua terceira presença. O espanhol Fernando Grijalba parte também para a sua terceira participação na Volta, onde tentará ajudar Rebellin a conseguir um resultado interessante. Por fim, estará também à partida o marroquino Salah Eddine Mraouni que é um dos ciclistas mais interessantes do continente africano.

bike

A segunda e última das equipas alemãs é a Bike Aid. Esta equipa é uma comunidade ciclista fundada em 2005 que é uma organização sem fundos lucrativos. Para a Volta a equipa alemã chega com Nikodemus Holler como seu líder, o alemão poderá surpreender em alguma etapa em terreno acidentado. O holandês Adne van Engelen e o jovem eritreu Awet Habtom poderão ser também nomes a seguir nesta edição.

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Por fim temos a repetente francesa Armée de Terre a equipa do exército francês. A equipa apresenta-se em Portugal com o experiente ciclista francês Damien Gaudin que correu na equipa Ag2r La Mondiale e na Team Europcar e que poderá lutar por alguma etapa em terreno acidentado. Para os sprints Jordan Levasseur deverá ser a aposta da equipa francesa, ou ainda o veterano Stéphane Poulhiès que já o ano passado garantiu um top-10 numa etapa ao sprint. Para finalizar, Bryan Alaphilippe, irmão mais novo de Julian Alaphilippe, também estará à partida da 79ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta. Mais um facto curioso é de o diretor desportivo desta equipa na prova portuguesa ser Jimmy Casper, ex-ciclista da Cofidis, FDJ e Ag2r, entre outras que chegou a vencer a 1ª etapa do Tour de 2006 e que também conta com uma vitória em etapa na Volta a Portugal de 2010.

Em suma, temos todos os ingredientes para ter uma excelente Volta a Portugal em Bicicleta. As equipas portuguesas partem como principais candidatas a vencer a geral e a maioria das etapas, porém há dois ou três ciclistas estrangeiros que poderão ser ossos duros de roer para as equipas portuguesas tendo em conta a classificação geral. Já quanto à luta por vitórias em etapas aí a luta será mais apertada, visto haver um punhado interessante de opções nas equipas estrangeiras que estarão prontas a estragar a festa às equipas caseiras.

Estamos desejosos que comece a 79ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, aquela que será a edição do 90º aniversário! Que chegue rapidamente o dia 4 de agosto!

Tiago Ferreira