FUGAS PARA A VITÓRIA

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Nas corridas de ciclismo, por vezes, há vencedores de certa forma improváveis. Não serão completamente improváveis os vencedores da Volta a Portugal. Numa prova por etapas, com alguns dias de competição, qualquer vencedor terá obrigatoriamente de ser um bom ciclista. Mas, não deixamos contudo de assistir a verdadeiras fugas para a vitória.

Na Volta a Portugal, é comum identificar a mais famosa dessas fugas como sendo a de Manuel Zeferino, em 1981. Depois do prólogo onde venceu Belmiro Silva, na primeira etapa que ligava Évora a Vila Real de Santo António, o jovem ciclista do FCPorto, então com vinte e um anos, acumulou mais de dez minutos, vantagem que foi gerindo até ao dia final, em Gouveia, envergando a camisola amarela (descontando o prólogo) da primeira à última etapa.

Não menos famosa e bem mais recente, datando de 2005, foi a fuga do russo Vladimir Efimkin em etapa que ligou a Lousã ao Fundão. Pode-se dizer que uma boa parte do pelotão pensou que o russo tinha tido o seu dia de glória no Fundão. No entanto, os seus dias de glória prolongaram-se até ao último dia da Volta de 2005, em Viseu, onde no final do contrarrelógio logrou vencer a classificação geral com 34 segundos de avanço sobre Cândido Barbosa. O foguete da Rebordosa bem tentou. Teve, como já não se via há muito, impressionante apoio popular, beneficiou muitas vezes das bonificações no final das etapas, mas nunca conseguiu diluir por completo a vantagem alcançada pelo russo na terceira etapa dessa Volta.

De certa forma, pode-se dizer que também a edição do ano passado será recordada pela fuga que acaba por dar a vitória a Rui Vinhas. Naturalmente não se pretende tirar mérito à vitória do ciclista, bem pelo contrário. Conseguiu defender-se de tudo e de todos… mas sem aquela fuga, com toda a probabilidade, não tinha tido esta oportunidade de vencer a Volta a Portugal.

Serão os exemplos que mais nos saltam à memória. Outros existirão e, se recuarmos muito na história da Volta, pelo perfil do ciclismo de então veremos diferenças de tempo bem maiores nalgumas etapas.

Ficam três exemplos de sucesso mais recentes, mostrando que aquilo que às vezes pensamos não passar de um bom dia, torna-se no sucesso final.
Luís Gonçalves