A ERA MODERNA DO CICLISMO

Quando, historicamente, se tentam distinguir eras ou factos importantes, não sendo aqueles que consideramos perfeitamente consensuais, como uma guerra mundial, e até aqui há quem já pretenda considerar as duas como um único acontecimento, há, naturalmente, divergências.

As divergências são normais e raramente derivam do desconhecimento. Seria um pressuposto errado. Quando se assinala um momento importante, num texto que não pretende ser um tratado histórico, que teria quinhentas páginas e mesmo assim, divergências, há que ser conciso e emitir opinião.

Neste contexto, quanto à era moderna do ciclismo é comum associa-la a Armstrong, Cipollini, Pantani, as suas equipas, cada um com habilidade, ora científica, ora metódica, ora de marketing da modalidade. Naturalmente que ninguém despreza, ou desconhece, todos os antecessores. Seria uma estupidez. Todos são ponderados e quase todos os grandes nomes da modalidade trouxeram algo de novo, muitas vezes verdadeiras renovações.

Mas o que é certo é que, de forma exponencialmente visível, repito, de forma exponencialmente visível, serão estes que teremos que apontar como os impulsionadores da nova era, onde estará sempre incluído o Tour como denominador comum. Ainda é comum ouvirmos dizer que a equipa x corre como a USPostal, ou que a equipa y corre como a Saeco, ou conhecermos dúzias de Pantanis nos grupos de Domingo.

Obviamente que estes identificados beneficiaram do início de um tempo diferente de todos os outros que os precederam. O brutal desenvolvimento da tecnologia, a globalização do planeta, da modalidade e da publicidade instantânea. É assim bem mais fácil divulgar ideias, e identificarmos quem as proclamou e, na maioria dos casos, apenas aperfeiçoou.

Até pode ser que daqui a uns anos, como é normal na História, consideremos quase obsoleto o seu contributo, mas, dito de outra forma, sendo demasiadamente abrangentes e não marcando um ponto que se considera de referência na atualidade, com alguma ignorância, ou não, teríamos que referir que o ponto tecnológico fundamental do ciclismo foi a invenção da roda, segundo consta, já lá vão uns anos.
Luís Gonçalves