OS DIAS DA FRANÇA

Pelo Tour, os franceses têm razões para andar satisfeitos. No dia da França, à conta da célebre tomada da Bastilha, Warren Barguil, reforçou substancialmente a liderança da classificação da montanha e venceu, finalmente, a sua etapa.

Mas vitórias em etapas e prémios da montanha têm tido os franceses, com alguma abundância, nestes últimos anos. No entanto, há muito tempo que não depositavam tantas esperanças de vitória numa classificação geral, como nestas últimas duas Voltas a França.
A confiança em Romain Bardet, sustentada diga-se, aumenta de dia para dia. O próprio Bardet, friamente, parece acreditar. Não é da Sky, o que pesará decisivamente nas decisões, mas terá a seu favor, porventura dividido com Aru, o apoio do público nos Alpes. E, se olhar-mos para o último contrarrelógio do ano passado, notamos que não perdeu assim tanto tempo para Froome.

Já se sabe porém que os franceses, são um pouco fanfarrões. Há muito tampo que estão à espera de um novo “messias” na modalidade. A vitória de Hinault no Tour, já tem mais de trinta anos, e até a última vitória francesa numa grande Volta (Jalabert, na Espanha em 1995) tem mais de vinte anos. Por isso mesmo, com frequência, vão da euforia à depressão com alguma facilidade. Aqui até somos parecidos.

Nestes trinta anos tiveram alguns assomos de euforia com Jalabert, Moreau, Chavanel, obviamente Virenque, até Pinot, e claro, o inevitável Voeckler. Mas da esperança depositada, noutro instante passam à crítica feroz. Qualquer ciclista francês terá que saber conviver com isso. E se conviverem tão bem como Voeckler, vão no bom caminho!

No país do ciclismo, aguarda-se por um novo vencedor do Tour, a corrida da França e do mundo. Apesar das etapas serem algo enfadonhas, facto que cada vez mais marca o Tour, muito mais do que qualquer outra corrida, sobretudo pelo que está em jogo e pelas suas características. É algo que terá que pôr seriamente a pensar os seus organizadores e os dirigentes do ciclismo.

Apesar de tudo, com este equilíbrio na classificação geral a criar atração na prova, a francesa A.S.O só pode estar satisfeita. A cereja no topo do bolo, pensarão, seria um vencedor, finalmente, francês.
Luís Gonçalves

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