“Na maioria dos casos, sem o conhecimento cabal da realidade, as forças de segurança tendem a perder o seu lugar na sociedade, como entidades comunitárias “

O policiamento das provas de ciclismo está a colocar em sérios riscos a atividade velocipédica, face aos elevados custos de segurança de uma prova.

A existência de duas forças policiais, que competem entre si, por competências e territórios, serviços, remunerações tem levado a um excesso de zelo, que se reflete na nomeação de agentes, nos horários e turnos por um serviço que deveria ser, isso mesmo, um serviço público, em especial o quer é efetuado pela PSP.

E porquê a PSP ?

Porque esta força de segurança, primeiro não está preparada para efetuar este tipo de serviço, segundo porque o tipo de serviço que lhé é exigido é, normalmente  apeado, de passagem de uma prova, por determinado local, o que acontece na maioria dos casos num curto espaço de 15 minutos, pago com um serviço mínimo de quatro horas. A questão fulcral da segurança entrou prioritariamente, no serviço de remunerados obrigatório, para um serviço que, por exemplo, no futebol é gratuíto.

O problema fulcral reside no facto de não existir outras forças de segurança, públicas ou privadas concorrenciais, às existentes e, por força disso, são exigidas cada vez mais procedimentos, serviços de pareceres agora pagos, e mesmo as nomeações de agentes são pagas por cada agente nomeado, seguindo-se naturalmente o numero de horas. A decisão é soberana e, se a entidade que solicita o pagamento, não concordar o parecer não é concedido e a prova não se pode realizar.

Por isso mesmo, os procedimentos e regulamentos particulares são continuamente alterados, mas sempre com novas situações altamente penalizantes.

Um ponto que claramente não abona em favor da PSP, reflete-se no facto de que, quando o serviço apeado não era pago, não havia agentes e eram  poucos os nomeados mas, a partir do momento em que este serviço passou a ser pago, a PSP começou a entender a segurança de uma outra forma.

Nos últimos Campeonatos Nacionais realizados em Gondomar, um sub-intendente, recentemente nomeado, destacou 74 agentes para cobrir a parte urbana do circuito. Foram pagos perto de 9.000 euros para o Campeonato de elites e outros tantos para os campeonatos sub-23, dos quais a organização pagou apenas 20%, dado se tratar de uma prova englobada no setor de formação. Isto sem falar do valor pago à GNR

As forças de segurança, que devem ser, prioritariamente, um elo de ligação e interação com a comunidade local, integrando-se no meio e na sociedade da região, afastam-se dos objetivos para os quais foram criadas, ao procurar comercializar um tipo de serviço, que deveria ser primeiramente comunitário, razoável e de colaboração com as entidades dessa região, os seus clubes e as suas populações.

Prepotentemente, na maioria dos casos, sem o conhecimento cabal da realidade, as forças de segurança tendem a perder o seu lugar na sociedade, como entidades comunitárias . Felizmente, nem em todas as cidades, vilas e aldeias de Portugal esta situação acontece, onde alguns comandantes, normalmente já bastante experientes, entendem qual o verdadeiro espírito que deve nortear a sua interação, com a sociedade em que está inserida.

1 comentário a ““Na maioria dos casos, sem o conhecimento cabal da realidade, as forças de segurança tendem a perder o seu lugar na sociedade, como entidades comunitárias “”

  1. A informação que temos da organização é aquela que demos no teor da notícia.

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