O SUCESSO DE PHIL BAUHAUS

O jovem alemão da Sunweb, Phil Bauhaus, não é propriamente estranho aos portugueses. Na Volta Portugal de 2014, com 19 anos, levou para casa duas etapas disputadas ao Sprint, uma com término na Maia e outra em Viseu.

Não é a primeira vez que um jovem de uma equipa quase desconhecida (Team Stolting) começa a vencer em solo português, lançando-se depois em vitórias no Worldtour, nomeadamente esta no critério do Dauphiné, como se sabe, uma das mais importantes competições mundiais, onde estão vários sprinters consagrados.

Não é portanto esse trajeto, que acaba por ser habitual, que pretendo destacar. O meu destaque vai para o seguinte. Sabemos que Phil Bauhaus venceu duas etapas na Volta 2014. Sabem ao mais atentos que Phil Bauhaus, não terminou essa Volta, não resistindo às agruras da serra da Estrela. Também é fácil saber que essa Volta terminou em Lisboa, tendo sido no entanto decidida num contrarrelógio na Sertã, que consagrou Gustavo Veloso, então na OFM/Quinta da Lixa.

Ora, na Sertã, no local de chegada do contrarrelógio, onde estava, apercebo-me de um jovem, vestido sem qualquer uniforme que o identificasse como sendo de qualquer equipa, tinha até uma t-shirt bastante “foleira” e com uma mochila carregada de bidons de água que ia distribuindo à medida que chegavam ciclistas da Team Stolting.

Tirei, nesse dia, para memória futura, uma fotografia com o jovem Phil Bauhaus, surpreendido por ser reconhecido, tão surpreendido como Jasper Stuyven a quem uma vez pedi um autógrafo na Volta ao Alentejo (e que me deu dois… porque se atrapalhou no primeiro!)
Reparem. Phil Bauhaus, que tinha ganho duas etapas na Volta a Portugal, estava na Sertã a auxiliar os colegas que ainda estavam em prova, num acto, que por muitos jovens portugueses, seria considerado menor.

O nosso pelotão jovem tem estrelas a mais, logo nos Juvenis, grande parte delas alimentadas pelo ego e dinheiro (ou suposto dinheiro) dos pais e pela avidez dos treinadores. Mas é assim, como Phil Bauhaus, que se chega a ganhar no Worldtour. Como é normal, a grande maioria das nossas estrelas, nunca passarão de estrelas cadentes.
Luís Gonçalves