A RESSACA DO DÃO

Mais do que a vertente puramente desportiva, a que já iremos, o Prémio do Dão levantou questões que têm passado de certa forma despercebidas mas que têm sido presença assídua nas organizações do ciclismo português.

A associação de ciclismo de Viseu, e quem a compõe, não podia ser mais voluntariosa. Nota-se um esforço evidente por querer fazer bem e, de facto, para uma associação tão jovem, é de realçar a coragem de se lançarem na organização de uma corrida profissional.
Mas, como em tudo na vida, falta alguma experiência que se decide e vê nos pormenores organizativos que por vezes se tornam “por maiores”. Quanto a isto, e sabendo-se desta inevitabilidade de qualquer actividade, sendo uma prova da Taça de Portugal, não deveria a Federação ser mais prudente? Ou seja, não deveria também o representante federativo estar mais habituado a estas andanças, por forma a, com alguma facilidade fazer face a situações deste e de outro género que, note-se, começam bem antes do dia das provas. A Federação tem recursos humanos que permitem uma transição mais equilibrada destes processos.

Como todos desejam, pondo os nomes. O Sérgio Sousa, até pode vir a ser um excelente “organizador” daqui a uns anos mas por enquanto, como será natural, escapam-lhe alguns pormenores desta nova faceta (para ele) das corridas, pormenores que, provavelmente, não escapariam a José Calado. Uma transição correta é meio caminho andado para o sucesso em qualquer instituição.

Pode-se dizer que o grosso dos encargos logísticos, e de percurso, correm por conta da organização, mas o bom auxílio federativo é essencial, até no delinear dos percursos.

De transições também se faz a PSP e a GNR. Questões antigas, presentes em demasiadas competições, nomeadamente na Volta a Portugal. Compreende-se o argumento da área de jurisdição. Objectivamente é assim, mas pode ser adaptável. Não faz sentido a GNR acompanhar quilómetros de prova e não poder fazer, por exemplo, dez ou vinte quilómetros finais.

Estas transições originam até, por vezes, cenas com alguma piada. Em cem metros, nalgumas situações, passamos das potentes motas da GNR para as scooters da PSP que, facilitam o policiamento urbano, mas complicam qualquer prova de ciclismo.

Quanto à vertente desportiva, que fazer do Dão, que era a última prova da Taça de Portugal de Elites e Sub-23. Anular por completo os resultados e ficar com os anteriores? Considerar só o resultado do contra relógio? Esquecer esta e incluir outra prova na Taça, onde se podia considerar o contra relógio ou não? A decisão é difícil e nunca agradará a todos. Imagine-se, por exemplo, que se considera só o contra relógio. O que nos garante que um ciclista não se tenha até poupado nesta especialidade contando com o dia seguinte? Ou, tentando evitar estragos na segunda etapa não tenha sucedido o contrário: andar a fundo no contra relógio para gerir a margem de tempo. Que pontuação atribuir ao contra relógio, sabendo que o regulamento da Taça só atribui pontos à classificação final, mesmo nas provas por etapas?

Questões complicadas de gerir, gestão que implicará sempre o prejuízo de um dos potenciais vencedores da Taça. Enfim, terá que existir alguma paciência e diálogo, algo que tem andado pouco presente.
Luís Gonçalves

2 comentários a “A RESSACA DO DÃO”

  1. Sobre a prova já me pronunciei noutra noticia, mas sobre a questão da Taça de Portugal a pontuação prevista deveria ser sempre cada uma das etapas em separado e não nunca sobre a classificação geral final do prémio. Agora a federação que descalce a bota, mas uma coisa é certa, seja qual for a decisão serão sempre os ciclistas e respectivas equipas os maiores prejudicados.

    A federação em minha opinião enquanto entidade reguladora do ciclismo e promotora da taça de portugal é a principal responsável por tudo o que de mau aconteceu em Viseu ao não conseguir prever uma série de acontecimentos.

    espero sinceramente que a associação de viseu não desista e que continue com o projeto.

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