PASSAGEM DE NÍVEL DÁ EMPATE NA LIÈGE-BASTOGNE-LIÈGE

 

A Liége-Bastogne-Liége é a mais antiga das provas mundiais que ainda se realizam, por isso mesmo sendo conhecida como La Doyenne (a mais antiga ou, à letra, a velha senhora).

Numa história que percorre três séculos, desde 1892, entre inúmeros episódios, encontramos em 1957 um acontecimento interessante. A vitória é partilhada por dois belgas: Germain Derycke e Frans Shoubben.

Não é um acontecimento inédito no ciclismo existindo ao longo dos tempos, em várias competições, algumas vitórias partilhadas, por diversas razões. Não sendo inédito, também não é comum, algo que seria anormal.
Pouco comuns foram as razões que ditaram esta vitória partilhada em 1957, na Liège. Certo é que Germain Derycke chegou na frente de Frans Schoubben quase três minutos. No entanto, no fim da prova, Shoubben queixou-se que Derycke, acompanhado de outros ciclistas, nomeadamente Louison Bobet, tinham transposto indevidamente uma passagem de nível fechada.

Hoje em dia, com a uniformização de regulamentos, tal acto é sempre proibido (pelo menos no texto!). Porém, em 1957, dava-se a interessante situação da transposição de passagens de nível fechadas ser permitida, por exemplo, na Itália e na França, mas proibida na Bélgica.

Ora, correndo-se a Liège na Bélgica, havia que punir Derycke. Entenderam os comissários que o ganho de Derycke com a imprevidência não foi assim tão grande, pelo que não o desqualificaram. Mas, numa decisão esquisita, também entenderam que Shoubben tinha razão no protesto e que os regulamentos belgas eram para cumprir. Deram-lhe por isso o mesmo tempo do vencedor (ou, pelo menos, do que chegou à frente) e a vitória partilhada. Um empate entre belgas que, à luz da actualidade, dificilmente se repetirá. Mas até aqui os belgas dominam nas clássicas. Dois belgas a vencer a mesma clássica no mesmo ano, é proeza!
Luís Gonçalves

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