A FEDERAÇÃO E A GESTÃO DO CALENDÁRIO

As competições profissionais em Portugal passam por uma paragem superior a um mês. Depois de um período competitivo intenso, entre meados de Fevereiro e meados de Março, é preciso esperar pelo próximo dia 22 de Abril para, na Bairrada, voltarmos a ver de novo e pelotão profissional em solo português.

Um hiato exagerado quer em termos puramente competitivos, quer em termos comerciais e de visibilidade da modalidade. Depois do extraordinário balanço no arranque de época, sobretudo com o mediatismo alcançado com a Volta ao Algarve, nos últimos tempos, raramente temos uma notícia sobre ciclismo, com a inerente publicidade, na comunicação social. É tempo a mais, nomeadamente, quando se deveria ter aproveitado o lanço dado pelas provas iniciais do ano.

Obviamente que nestas questões de calendário devemos fazer um ponto de honra. Quando se fala de calendários competitivos, naturalmente que cada um olha para o seu quintal. Por ser mais abrangente e mediático, a maioria reflecte sobre o calendário profissional de estrada. Outros olharão, por interesse, para os escalões de formação, na estrada, que até podem ser divididos em zonas (A – Norte; B – Sul) e que também têm falhas, bem como outros, mudarão as vertentes e o que lhes interessa é a existência de provas de XCO ou BMX, em todos os escalões, e até as Femininas e os Veteranos terão um olhar diferente sobre as provas que têm ou pretendem ter.

Em todas estas formas de ver, há apenas um ponto comum: a Federação, que tem a dificuldade de ter que regar todos os quintais. Não é fácil definir calendários e organizá-los equitativamente sob a forma de competições, sobretudo juntar calendários nacionais com calendários regionais promovidos pelas Associações.

Embora por vezes nos pareça uma organização desorganizada, que mereceria mais empenho por parte de alguns funcionários, que deveriam pedalar conjuntamente com os empenhados, se tivermos em consideração todos os escalões e vertentes da modalidade, pode-se dizer que o calendário português é extenso, vasto e com muito poucos intervalos temporais.

Não invalida isso que se pense que a paragem actual no ciclismo profissional, o que tem e dá mais visibilidade à modalidade, seja longa de mais, sobretudo quando deveria ter sido aproveitado o embalo dado pelo início de época. Será apenas um ponto de reflexão dentro de toda a complicada temática dos calendários, mas com relevante importância para o nosso ciclismo.
Luís Gonçalves

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