CICLISMO E CICLISTAS À MODA ANTIGA

O Paris-Roubaix, mais do que qualquer outra corrida no mundo, tem o dom de nos levar a um ciclismo perdido noutras décadas, com imagens de ciclistas de cara suja pelo pó, provas interessantes com ataques e contra ataques, problemas mecânicos, quedas, furos, alianças tácticas improváveis, ciclistas aparentemente afastados da vitória e que depois ganham, quase uma espécie do salve-se quem puder própria dos primórdios do ciclismo.

O público sabe isso e, de ano para ano, não falta, quer na berma da estrada, quer pela televisão. E aqui, não fossem os helicópeteros, aviões e dúzias de carros e de motas que nos permitem ver a prova em directo, meios que por vezes vemos na transmissão e pareceria mesmo ter recuado a outros tempos.

Quem parece também ter recuado a esses tempos é Alejandro Valverde. Ao tempo em que os grandes ciclistas, embora num tempo diferente e com calendários diferentes, corriam todas as provas para ganhar, ou pelo menos para estar entre os primeiros. Há altura, sem ser preciso recuar muito, todos o faziam. Hoje sabemos que não é assim, o que torna a vida destes ciclistas ainda mais difícil. Nesta aventura, mais do que com qualquer outro, Valverde, tem contado com a companhia de Alberto Contador.

É certo que Valverde tem ganho e Contador tem copiado outra grande figura do passado, Raymond Poulidor mas, é preciso dar o mérito a quem o tem. Fazer sucessivas épocas como ambos têm feito, não é para qualquer um. É um difícil regresso ao passado nos tempos modernos.

São características destas que distinguem muitas vezes os grandes ciclistas dos outros. E o que têm a aprender alguns ciclistas portugueses, ou a correr em Portugal, com estes senhores.
Luís Gonçalves