O CICLISMO NO DESPORTO ESCOLAR

A Federação Portuguesa de Ciclismo e a Direcção Geral de Educação, com a presença dos seus mais proeminentes representantes, formalizaram um acordo de implementação do programa nacional de ciclismo para todos e de desenvolvimento da vertente de XCO, no contexto do desporto escolar.

O acto é em tudo positivo apenas pecando por tardio, não só por vontade federativa, mas também pela falta da essencial vontade política, num país que tem sido deprimente em relação ao desporto escolar, não existindo um plano que se veja e seja sustentado. Em relação ao ciclismo, como noutras modalidades, dependia em demasia da vontade das escolas e da boa vontade de alguns professores, nalguns casos apoiados por algumas equipas, sendo que certos projectos, poucos, têm anos de actividade.

Para além da óbvia vertente ambiental e de saúde, a ideia política é também humanizar as localidades através do incentivo ao uso da bicicleta. Neste contexto, será preciso também humanizar alguns autarcas que, a avaliar pelas obras que fazem, com dinheiro público, continuam a desconhecer o que é a circulação urbana de bicicletas e de peões.

Não menos importante será a transmissão de conceitos sobre circulação na via pública, conceitos que sabemos andarem pelas ruas da amargura. Há já vários anos, nalguns países do Norte da Europa, é a própria polícia que examina os alunos, numa disciplina própria, sobre circulação na estrada. Porventura, medida de difícil implementação em Portugal, onde as forças de autoridade trabalham massivamente em espetáculos de carácter privado, subsidiados, ao contrário da generalidade do ciclismo, por fundos públicos.

Esperemos que a formalização deste acordo seja um virar de página decisivo do ciclismo e da circulação de bicicletas no âmbito do desporto escolar, em evidente desenvolvimento.
Luís Gonçalves