Gomes e Delmino foram, no passado, ciclistas de eleição, hoje, deles depende o ciclismo profissional em Portugal

O ciclismo nacional continua parado, no que toca ao ciclismo profissional. Demasiada força, rivalidade e empenho foram gastos num período pouco propício aos interesses do ciclismo nacional, para durante um mês as bicicletas pararem nas estradas nacionais.

O futuro não é risonho, poderemos dizer bastante sombrio sem que se vislumbrem capacidades e sinergias capazes de movimentarem a modalidade para o caminho desejado.

Dois homens,  os ciclistas mais influentes da sua geração, Joaquim Gomes, um voltista por excelência, trepador nato, ainda hoje à espera de um sucessor à sua altura, e Delmino Pereira, talvez o ciclista mais completo dos anos 90, bom em quase tudo, e um dos ciclistas que mais vezes levantou os braços em sinal de vitória, podem ser, agora, também  nos tempos que correm, as duas figuras mais influentes do ciclismo nacional. Um e outro chefiam as duas principais organizações, das quais depende diretamente o ciclismo profissional.

Joaquim Gomes comanda a Podium, do ponto de vista técnico, acumulando uma tremenda capacidade de relacionamento com autarquias, um autêntico relações públicas. A sua entidade, ao que parece, é  a unica que até ao momento se dispôs a continuar a organizar a Volta a Portugal, como se sabe em período de atribuição de um novo mandato para sete anos.   A Podium que, ao longo dos ultimos anos,  contribuiu com mais de oito milhões de euros para a estrutura federada . As contas são fáceis de fazer, se multiplicarmos o valor de 450 mil euros , que atribuiu anualmente como compensação para a FPC, desde 2003 até 2016, bem como os encargos que eventualmente foram obrigados a cumprir com a organização de outras provas deficitárias, como a Volta do Futuro, a Volta ao Alentejo e os Campeonatos Nacionais, isto sem falarmos com os custos da transmissão em direto do evento pela RTP., cujos custos gerais orçam em 700 mil euros .

Uma Volta que cada vez é mais cara, e que obriga a neutralizações e a partidas e chegadas diferentes, numa tentativa de angariação de receitas que cubram os milhões da sua organização. A ultima edição da prova terá sido um alento para o futuro, com a entrada de patrocinadores de prestígio que ficaram encantados com a exposição  da Volta a Portugal.

A Podium, como entidade organizadora, é a única entidade privada que tem respeitado os interesses de equipas e ciclistas. Em ambos os casos, as suas provas são as que melhor pagam a uns e outros, num esforço que poderemos considerar notável, pois mesmo nos piores momentos da sua existência sempre cumpriu com o ajustado .

Do outro lado, Delmino Pereira, depois de um mandato da quatro anos, deu passos significativos para um maior desenvolvimento da modalidade. Tentou alargar o projeto CyclinPortugal a vários pontos do país, mas a receita parece não ter pegado e do projeto, só a Volta ao Algarve deu um passo em frente, em especial com a transmissão em direto . A falta de continuidade das provas efetuadas no passado, não dão garantia de um projeto sólido e com regularidade no futuro.

A Volta ao Algarve, disputada numa fase da temporada com falta de provas, atrai as grandes equipas, não pela importância do escalão da corrida, mas sim pelo percurso,pelo clima e pela falta de provas na Europa. Apesar de tudo, a prova subiu de escalão para HC, como se fossem os pontos que fizessem atrair essas grandes equipas à prova algarvia.

Ambas as estruturas têm responsabilidades, passadas e futuras, no que concerne ao ciclismo dito profissional,  e seria de todo importante que ambas trabalhassem no mesmo sentido, em linha reta sem curvas nem quedas e que juntas, tornassem o ciclismo profissional uma realidade com futuro no nosso país, única forma de se fomentar e incentivar o ciclismo de formação. Ambas as estruturas, pelos dinheiros envolvidos, têm obrigação de “construir ” um calendário equilibrado , com provas de fevereiro a,  outubro.

Ambas as estruturas teriam a obrigação de criar o Conselho de Ciclismo profissional, como um órgão coordenador do setor. Será que é possível ?

JS