CONTADOR, O ROMÂNTICO

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Esta época, Alberto Contador parece estar inspirado em Raymond Poulidor. São já notados alguns segundos lugares, em boa medida presos por segundos, como estes dois segundos que o fizeram perder o Paris-Nice para Sergio Henao.

Se fosse futebol, ou qualquer desporto com baliza, podia-se dizer que a bola tem andado a bater na trave. Obviamente que o objectivo é o golo, mas também podemos dizer que há bolas que batem na trave, ou nos postes, que dão verdadeiro espectáculo e causam emoção no espectador, por vezes, mais do que o próprio golo.

Os remates de Contador têm batido na trave mas, imagine-se o que seria a última etapa do Paris-Nice se Contador não tivesse atacado e colocado seriamente em causa a liderança de Henao. Seria uma etapa banal, quase de consagração.

Pode-se acusar Contador de muita coisa e até nem gostar dele. Por vezes, excede-se na forma como corre. Tem uma forma de pedalar pouco atraente, como Froome. Não é calculista como Valverde, num exemplo de sucesso que podemos copiar, mas não deixa ninguém indiferente porque mexe com as corridas, numa espécie de ciclismo do passado romântico que, essencialmente, desapareceu com a máquina USPostal e com o comboio vermelho da Saeco.

Contador, pode já não ter a capacidade que já teve e que lhe permitia “safar-se” mesmo quando não tinha as melhores opções em corrida, mas nunca deixará de estar ao nível dos grandes ciclistas atacantes que fazem parte da história do ciclismo, em muitos casos, os que dão real sal e pimenta à modalidade.

Sem outros românticos como Pantani, nenhum outro ciclista moderno, cometeria a loucura que lhe valeu a Vuelta, em que bateu um incrédulo Joaquin Rodriguez.
Luís Gonçalves

1 comentário a “CONTADOR, O ROMÂNTICO”

  1. Por o que tenho visto o Contador tem pensado tarde de mais em agir para vencer, Sò tem que ser ele próprio o resto està com ele. Vitórias!!!!

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